BRASÍLIA — A saga pela liberação do meia chileno Leo Valencia, que pode estrear já na próxima quarta-feira pelo Botafogo, movimentou a capital federal durante toda a semana passada. Depois do secretário-executivo do Ministério da Justiça, José Levi, que havia sido acionado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para ajudar na liberação, agora foi a vez o embaixador do Chile, Jaime Gazmuri, e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, se envolveram nas negociações para conseguir o visto de trabalho do jogador.
A situação de Valencia se tornou complicada pois o jogador cumpria pena alternativa no Chile por ter agredido sua ex-noiva. Inicialmente a informação era que ele teria de continuar a cumprir a pena no Brasil, mas no início da semana o clube apresentou um documento afirmando que a pena já havia sido integralmente cumprida no Chile.
A Polícia Federal, no entanto, solicitou novos documentos. Foi então que as movimentações políticas recomeçaram. O presidente da Câmara, que é botafoguense, telefonou para o diretor-geral da Polícia Federal e pediu ajuda. A conversa, pelo pitoresco da situação, começou de forma atípica.
- Daiello, qual é o seu time? - indagou Maia.
- Grêmio - respondeu o delegado.
- Então posso te pedir isso - prosseguiu Maia detalhando as dificuldades do caso.
Daiello prometeu ajudar e encerrou a conversa em tom de galhofa:
- Se fosse do Inter era mais difícil porque eu não conseguia entrar nem em casa.
A Polícia Federal, no entanto, não abria mão de um documento comprovando que o jogador já havia cumprido a pena. Na quarta-feira, Maia então mobilizou seu chefe de gabinete, que é embaixador, e solicitou que ele procurasse o embaixador chileno no Brasil, Jaime Gazmuri, para que o documento fosse providenciado. O diplomata pediu então que o clube fosse no dia seguinte ao consulado no Rio que o documento estaria pronto.
Com o papel em mãos, o Botafogo voltou à Polícia Federal, que na sexta-feira à tarde finalmente liberou o visto de trabalho de Valencia. Não a tempo, no entanto, de o clube inscrevê-la para que pudesse jogar a partida deste sábado contra o São Paulo.
- Era interesse do Chile resolver a situação de um cidadão chileno. Não deu tempo de inscrever, mas foi um dia de vitórias. O pessoal do Botafogo diz que quase todas as faltas que ele bate, ele faz - justificou Maia sem qualquer constrangimento.

