Moscou A um ano da Copa do Mundo — e a apenas três dias da Copa das Confederações —, a Rússia vive problemas que lembram muito aqueles enfrentados pelo país-sede do último Mundial — o Brasil. O estádio de São Petersburgo, programado para ser exemplo e vitrine da organização russa evento-teste, ficou marcado por faraônicos custos de construção e pelo mau estado do gramado, que gera mais motivos de preocupação do que de orgulho.
Um mês antes do jogo de abertura da Copa das Confederações, no próximo sábado, entre Rússia e Nova Zelândia, o gramado da Arena Zenit teve que ser trocado, pois o primeiro que tinha sido instalado se degradou rápido demais.
A construção do estádio de São Petersburgo, que começou em 2007, passou por vários problemas, e o projeto teve que ser alterado algumas vezes. A capacidade do estádio é de 68 mil pessoas e o valor de custo ultrapassou os € 670 milhões (cerca R$ 2,34 bilhões). O superfaturado Maracanã custou bem menos em sua reforma — R$ 1,26 bilhão.
Desvio de R$ 2 bilhões
Em agosto de 2016, a empresa responsável pelos trabalhos abandonou a obra e foi substituída por outra, que prometeu entregar o estádio antes do fim do ano. Foi o último dos episódios de uma extensa saga de valores desproporcionais, prazos não cumpridos e escândalos de corrupção que rodeiam a organização da Copa de 2018.
— Deveríamos receber um estádio de conto do fadas, o melhor do mundo, em um Estado ideal — afirmou Alexeï Navalny, líder da oposição e conhecido crítico do presidente Vladimir Putin, em vídeo que relata sua investigação sobre a construção do estádio.
“Roubaram o dinheiro”, denuncia o vídeo publicado na internet, aproximando o montante desviado pelos responsáveis russos da casa dos € 500 milhões — cerca de R$ 2 bilhões.
Em 2016, Marat Oganessian, o antigo vice-governador de São Petersburgo, encarregado de fornecer o placar do estádio, foi detido com suspeitas de desviar mais de € 800 mil (R$ 3,2 milhões).
Para a Rússia, a Copa das Confederações é uma espécie de ensaio geral para a Copa do Mundo. Servirá para avaliar as infraestruturas esportivas para a competição do ano que vem. No entanto, os desafios continuam sendo muitos, entre eles o estado lamentável dos granados de vários estádios, a começar por São Petersburgo, onde uma parte do campo está sem grama.
Ao jornal “RBK”, o engenheiro-chefe da Zenit Arena, Konstantin Kremlinski, responsabilizou a Bamard, empresa encarregada do campo, de preparar mal o gramado. A relva tinha fungos e mofo. Por outro lado, um representante da Bamard lembrou que a Fifa aprovou o gramado quando o trabalho terminou, e que os problemas chegaram mais tarde, com a primavera. De fato, a estação foi particularmente fria e longa este ano na Rússia.
O estádio de São Petersburgo também foi centro de uma recente polêmica, que indicou que algumas construções tiveram operários ilegais vindos da Coreia do Norte, o que foi admitido pela Fifa. O diretor-geral do Comitê Organizador do Mundial, Alexei Sorokin, minimizou o problema, garantindo que as condições de trabalho dos imigrantes “não eram muito diferentes das de outros trabalhadores”.

