Sem ter um grande elenco, o Vasco tem, claramente, mais jogadores com capacidade de decidir um jogo do que o Avaí. E foi graças a uma aparição de um deles, Nenê, que surgiu o lance decisivo do jogo. Porque, no restante do tempo, foram raros os momentos de real imposição vascaína, em casa, sobre um dos rivais mais limitados deste Campeonato Brasileiro. O 1 a 0 sobre o Avaí, em São Januário, terminou com tensão, até que o apito final fosse recebido com alívio.
O primeiro tempo expôs as virtudes e os riscos da opção de Mílton Mendes por colocar Nenê aberto pelo lado esquerdo. Primeiro, a volta ao time do jogador mais técnico do elenco vascaíno deu ao time algum poder de desequilíbrio. Afinal, não são fartos os recursos do elenco, em especial para produzir um lance que fuja do roteiro. Foi assim que surgiu o gol do Vasco, quando Nenê conseguiu uma arrancada pela esquerda, fez jogada de autêntico ponta e rolou para Yago Pikachu marcar.
Terminava ali, aos 20 minutos do primeiro tempo, um período de domínio vascaíno, ainda que sem grandes oportunidades de gol além desta. Faltava, mesmo, um toque de desequilíbrio. Até então, o que marcara mesmo a noite de São Januário fora um apagão, responsável por interromper a partida por 20 minutos, e os conflitos na arquibancada, problema recorrente no estádio, sempre iniciados por desavenças políticas entre torcedores: há os favoráveis e os contrários ao presidente Eurico Miranda.
Até então, a presença de Nenê pela esquerda inibia, por exemplo, os avanços do lateral Leandro Silva, do time catarinense. A necessidade do Avaí, uma vez em desvantagem, fez o time forçar jogo pelo lado esquerdo do Vasco onde, naturalmente, a recomposição defensiva seria deficiente. Difícil cobrar de Nenê um esforço de correr os 100 metros de campo repetidamente.
O fato é que o Avaí passou a ter controle da bola e as melhores oportunidades. Pela direita, Leandro Silva encontrou Rômulo, que chutou fraco. Nos minutos finais do primeiro tempo, Martín Silva fez duas defesas, em chutes de Juan e de Simião. O Vasco só incomodaria em contra-ataque puxado por Mateus Vital.
A tendência era que o segundo tempo abrisse mais espaços para o Vasco contra-atacar, mas as chances reais foram poucas. E os recursos de Mílton Mendes para mudar o jogo não são tão encorajadores. A entrada de Manga Escobar no lugar de Pikachu deu uma opção de velocidade, mas de pouca precisão técnica pela direita. Na esquerda, uma arrancada de Henrique resultou numa boa oportunidade.
Aos poucos, o time perdeu o controle do meio-campo e tinha poucas opções de saída. A entrada de Andrezinho no lugar de Mateus Vital não ajudou neste sentido. O Avaí passou a ficar com a bola no campo ofensivo e, já nos acréscimos, Martín Silva fez defesa salvadora em chute de Leandro Silva.

