Duas das melhores centrais do Brasil estarão em quadra hoje, a partir das 10 horas, na Arena Carioca 1, para a decisão da Superliga feminina de vôlei. Experientes, chamam a atenção pela excelente forma física e carreira longeva: Juciely, do Sesc-RJ, de 37 anos, que teve temporada de superações, e Walewska, do Dentil/Praia Clube, de 38 anos, que, voando, prolongará a carreira por pelo menos mais uma temporada. O time do Rio é dono de 12 títulos nacionais, e a equipe mineira busca o ouro inédito (tem uma prata e um bronze). Em 2015/2016, em jogo único, o time carioca derrotou a equipe mineira por 3 a 1, em Brasília, e ficou com o título.
A decisão da Superliga começa hoje e será disputada em dois jogos. Se necessário, haverá um de 25 pontos, após a segunda partida, no domingo que vem em Uberlândia. Ambas terão transmissão ao vivo da TV Globo e Sportv.
Aceitação
Mesmo com temporada marcada por contusões, principalmente de Gabi, Gabriela, Monique e Juciely, o time do Rio faz a 14.ª decisão seguida. Na semifinal, derrotou o Camponesa/Minas por 3 jogos a 0. Já a equipe mineira superou o Vôlei Nestlé em 3 jogos a 2.
— Jogaremos contra um time favorito, tanto pela força física quanto pelo moral conquistado durante a temporada. Foi a melhor equipe na primeira fase e venceu a semifinal de forma espetacular — avalia Bernardinho, que joga o favoritismo para o rival e completa: — Nosso histórico de finais e títulos cai por terra. Porque o Praia não tem, mas as jogadoras tem. São experientes, algumas campeãs olímpicas. Sabem fazer.
Bernardinho afirma que gostaria de ter sua equipe em melhores condições físicas. E que Gabi e Juciely, que fizeram cirurgia no joelho, ainda não 100%.
— O mais importante é a carreira delas. Mais do que o campeonato.
Juciely admite que esse temporada foi chave em sua carreira. Após recuperação de artroscopia no joelho esquerdo, feita no ano passado, a meio de rede passou a sentir o joelho direito. Não teve jeito. Precisou operar também. Mas não parou por aí: ela também teve uma ruptura de tendão na coxa direita que lhe rendeu mais um mês de molho.
— Frustração total. Por momentos, pensei: “Será que conseguirei voltar?” “Será que em algum momento ficarei sem dor?” — conta Juciely, que se sentiu abraçada pela equipe. — Foi assim com todas nós que nos machucamos. Quando uma faltava, outra supria as necessidades do time. Estamos unidas.
A central, que na final da última Superliga foi decisiva na vitória contra o Vôlei Nestlé, ao marcar 6 pontos no tiebreak, conta que apenas agora passou a aceitar que tem tempo de recuperação diferente das demais companheiras. Apesar da excelente forma física, resultado de dieta e descanso, os joelhos “estão cansados”.
Por isso, outras questões martelam na cabeça. Inclusive se, após essa competição, terá condições de atuar novamente pela seleção brasileira. Ela acredita que não.
— Se estava tão bem no ano passado por que sofro tanto agora? Tive de aceitar que não tenho mais 20 anos. Demorou para entender isso e confesso que não aceitei 100% (risos). Porque sei que tenho de dosar nos treinos para prolongar a carreira. Mas quero estar sempre na quadra. A comissão técnica que me tira. Tira mesmo. Para me poupar.
Assim como Juciely, Walewska, tem rotina diferente das demais. A central do Praia, não faz os treinos físicos na parte da manhã com o elenco. Somente à tarde. Mas tem uma vantagem: nunca teve contusão séria, nunca precisou operar.
Mais um ano
As dores nos joelhos, que também são cansados, podem ser administradas. Entre os cuidados, faz massagens, pilates e natação, rotina que segue à risca desde 2003.
— Só jogo até hoje porque tenho disposição. Se não, não estaria aqui. Acho que não tem segredo. Estou colhendo os louros dos sacrifícios e da preparação que faço há anos. Me cuido muito principalmente em relação à alimentação e ao descanso — explica Walewska. — Se me dispus a ser uma atleta de alto nível, tenho de fazer por onde.
No início da temporada, a meio de rede chegou a afirmar que se aposentadoria após a Superliga para ter filhos. Mas, os planos mudaram.
— Queria terminar a temporada para ver como fisicamente eu responderia. Chego muito bem e possivelmente jogarei mais um ano — revela a jogadora que desde 2008, quando o Brasil foi campeão olímpico em Pequim, não veste mais a camisa da seleção.
Para o técnico Paulo Cocco, o Praia, liderado pela capitã Walewska, está preparado para derrubar mais um tabu. E enumera as conquistas de 2017/18:
— Essa equipe nunca tinha vencido o Rio. Venceu. Nunca tinha vencido o Osasco fora de casa. Venceu. Nunca tinha ganho de Osasco numa semifinal. Passamos. Derrubou, após anos, Rio e Osasco, como campeão da primeira fase. O título é o tabu maior.
Ontem, pelo masculino, o Sesi-SP garantiu vaga na decisão ao eliminar o Sesc-RJ por 3 jogos a 0. O jogo foi vencido por 3 a 0 (25/22, 25/23 e 25/23), na Arena Carioca 1. Campeão em 2010/11 e vice em 2013/14 e 2014/15, o Sesi aguarda a definição da outra semifinal. Na sexta, o Sada/Cruzeiro venceu o Taubaté por 3 a 0 (25/20, 25/19 e 25/17). A série está 2 jogos a 1 para os paulistas.

