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A perda de peso é o primeiro adversário de um lutador antes de um combate. Sofrido, desgastante e quase subumano, os atletas suam até os últimos minutos para perder gramas preciosos. Rose Volante precisou de muito mais do que isso para entrar em forma. Com um índice de massa corporal (IMC) de 38,1 — obesidade severa II —, a futura advogada precisava eliminar boa parte dos 105 quilos, distribuídos em 1,66m, para não piorar o quadro de saúde. Foi com jabs e diretos, ganchos e cruzados, que a paulistana eliminou 40kg em um ano e mudou o seu destino: decidiu se tornar boxeadora. Nove anos depois, ganhou o título mundial, o primeiro de uma mulher na História do Brasil.

Hoje, aos 35 anos, Rose subirá no ringue para fazer a primeira defesa de cinturão nos pesos-leves (até 61kg) da Organização Mundial de Boxe (OMB). A defesa é contra a panamenha Lourdes “La Felina” Borbua, campeã latina do Conselho Mundial de Boxe (CMB). O duelo será na Arena Santos, em Santos (SP), a partir das 19h30m.

— Eu consegui trazer essa vitória inédita para o boxe feminino. O coração está a mil para a primeira defesa, em casa, com a torcida. Vou subir lá e dar o meu melhor — diz. — Treinei dobrado para essa luta. Conquistar é uma coisa, mas manter o título é muito mais difícil.

Rose se juntou a Éder Jofre, Miguel de Oliveira, Acelino Popó Freitas e Valdemir Sertão Pereira como os brasileiros campeões mundiais de boxe. É a primeira vez após 17 anos que um pugilista brasileiro volta a defender o cinturão no Brasil. O último foi Popó, em janeiro de 2001.

O caminho até o cinturão foi árduo. O primeiro obstáculo foi na academia, quando o professor ironizou o fato de ela querer aprender boxe. “Você está vendo alguma mulher aqui?” é a frase que ecoa até hoje nos ouvidos da campeã. Mesmo começando tarde nos ringues, aos 26 anos, Rose não desistiu e enfrentou todos os preconceitos para ser tornar uma atleta de ponta.

Namorado no card preliminar

Por seis anos, ficou no esporte amador e na seleção brasileira de boxe. Na bagagem, três títulos brasileiros, quatro sul-americanos e uma reserva na Olimpíada de Londres-2012, justamente para a medalhista de bronze Adriana Araújo. Com poucos recursos, o sustento vinha do Bolsa Atleta de R$ 1.850 e das aulas em uma academia. Foi então que resolveu se arriscar no profissional. De 2014 para cá, já são 12 combates, com seis nocautes.

— Eu não tinha um apoio. Contava com ajuda de amigos e alunos, fiz rifas, vaquinhas... — conta a campeã. — Surgiu a proposta para morar em Santos e me dedicar só ao boxe. Fui em outubro, comecei a me preparar e me chamaram para lutar com a argentina em dezembro. Tudo tão rápido...

Os combates ainda não trazem lucro — nem mesmo uma casa própria a lutadora conseguiu comprar. Mas o esporte trouxe realização pessoal, bem-estar e um exemplo para ser seguido por várias mulheres:

— Idade é só uma questão de números. Não é uma realização financeira. Ganhei qualidade de vida, realização de um sonho pessoal... ter mudado de vida e ter entrado na história, isso dinheiro nenhum paga. Com uma luta aqui e ali, eu vou me mantendo.

Além da defesa de cinturão, Rose vai ver o namorado subir ao octógono no mesmo card. Douglas Ataíde vai enfrentar pelos super meio-médios:

— Ele vai lutar no mesmo dia que eu. Vai ser bem especial.

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