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RIO, 2 (AG) - Todo clube de futebol, não importa o tamanho, tem o seu microcosmos político, com situação e oposição e artimanhas pelo poder. No caso do Volta Redonda, que enfrenta o Fluminense neste domingo, a política está no DNA. Desde sua fundação em 1976 até os dias de hoje, o time da Cidade do Aço gerou e sofreu influências do poder municipal e até federal. Não foi o suficiente, no entanto, para transformá-lo na quinta força do Rio, apesar de alguns momentos de destaque em sua curta história. Continua sendo o objetivo, entretanto.

- Ele nasceu grande. Na época da Revolução (como o entrevistado chama a tomada do poder pelos militares em 1964), por interesse político, e por ser uma cidade de operários da CSN, era preciso que aqui se criasse uma forma de entretenimento, e criaram o Volta Redonda para disputar o Carioca (o estado do Rio e da Guanabara haviam se fundido) e o nacional. O prefeito era o Nelson Gonçalves, e o irmão dele, Isnaldo Gonçalves (pai do atual vice geral, Gabriel Torturella), foi o primeiro presidente do clube - recorda o atual presidente, Flavio Horta, que participou da direção nos anos 70.

Contou-se até com a intervenção do então presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), Heleno Nunes (também presidente do partido político Arena), que exigiu que o clube escolhido para representar a cidade no estadual, o Flamenguinho, trocasse de nome e cores - Nunes era vascaíno. Não foi aceito e, por fim, surgiu um novo time cujo conselho diretor contava com dois representantes da prefeitura.

- A maioria dos presidentes do clube fez carreira política na cidade. Nunca teve problema, até que o último presidente se tornou oposição ao então prefeito. O clube acabou sofrendo um pouco - diz Geraldo Braz da Cunha, de 68 anos, conselheiro do clube, que questiona a atual gestão por ser de Barra do Piraí, rival da cidade do aço.

O conselheiro se refere ao ex-presidente Antônio Francisco Neto, atualmente no PMDB, que comandou o clube nos anos 80 e 90, e depois ficou à frente do município por três mandatos, até 2016. Na época, foi vice-campeão da Série C, em 95. E a Rogerio Loureiro, do PPS, que presidiu de 2004 a 2014, quando renunciou logo após não conseguir se eleger deputado estadual. Antes, ele fora candidato a vice na chapa de oposição a Neto. Sob sua gestão, o time ganhou a Taça Guanabara de 2005.

- Até então, a prefeitura sempre ajudava. Reformou o estádio Raulino de Oliveira, fez o centro de treinamento. Também colocava verba no clube - conta Flavio Garcia, o Fubá, ex-administrador do estádio, que critica a decisão do conselho em ceder um terreno do clube a Loureiro como pagamento a dívidas daquela gestão com a Transportadora Excelsior, da família do ex-presidente.

Porém, uma decisão do TCE-RJ proibiu repasses de verbas da prefeitura de Volta Redonda ao clube, em 2012, por falta de prestação de contas. Atualmente, a diretoria paga os custos do quadro móvel do Raulino de Oliveira e usa apenas um dos quatro campos do CT, que é público.

- A nossa relação com o Samuca (Elderson Ferreira da Silva) é boa. Mas poderia nos ajudar de outras formas, sem ser com verbas - diz Flavio Horta, que é cunhado do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, mas afirma que nunca pediria ajuda ao estado. - Nem o governador ofereceria.

O gerente de futebol do clube, o ex-jogador Zada, conta que tem tido conversas promissoras com a prefeitura:

- Estamos tentando administrar o CT todo. Hoje cuidamos apenas do campo 3. Mas, às vezes, temos que pedir para os moradores saírem. Se tivermos todo o CT, poderemos integrar a base com o profissional.

Horta admite que o Volta Redonda ainda é um clube com pouca tradição de família, por ainda ser novo. Os torcedores brincam que é a "torcida salário mínimo": vem pouco e a maioria é aposentado. Torná-lo a quinta força do estado não é tarefa fácil, mas ele e pretende deixar nas mãos de Flavio Horta Jr. O filho cuida do futebol e já tem grande ingerência no clube, que disputará a Série C (quase subiu ano passado).

Em novembro, tem eleições presidenciais. Mais um capítulo para a história política do clube.

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