Eliminação precoce aumenta necessidade do Palmeiras de vender garotos

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

10/06/2021 16h35 — em Esportes

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A obtenção da meta financeira de superávit do Palmeiras para 2021, de R$ 10,3 milhões, já era complicada no começo do ano. Agravou-se com a volta de Dudu. E saiu de vez do prumo com a eliminação mais do que precoce do time na Copa do Brasil, na quarta-feira (9). O time falhou em mais uma disputa de pênaltis, desta vez contra o CRB, em pleno Allianz Parque, pela terceira fase do torneio.

A meta do Palmeiras na Copa do Brasil era chegar às quartas de final e, assim, arrecadar cerca de R$ 9 milhões em cotas pela progressão nas fases do torneio. Com a eliminação, o clube levará apenas R$ 1,7 milhão, montante que mal paga um mês de salário do meia reserva Lucas Lima, por exemplo. Mais do que isso, o clube alviverde deixa de disputar os mais de R$ 72 milhões que o time poderia alcançar com um eventual bicampeonato.

Com forte elenco, o clube ainda é visto como candidato aos títulos do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores. Mas não há garantia de sucesso, de todo modo, o que pode obrigar o Palmeiras a compensar eventuais quedas de receita com outras fontes, como a negociação de atletas. No entanto, mesmo nessa vertente, o Palmeiras hoje se vê em defasagem.

Um dos pilares da meta era obter R$ 80 milhões em vendas de atletas, mas quase metade disso, R$ 38 milhões, viria da ida definitiva de Dudu para o Al-Duhail (QAT), o que não ocorreu. Ou seja, o clube passou a ter de arrecadar 50% mais do que imaginava quando desenhou seu orçamento, devido ao naufrágio do negócio —sem mencionar o impacto que a volta do jogador tem na folha de pagamento.

Agora, isso não quer dizer que o Palmeiras está se afogando em dívidas. Tampouco está perto de qualquer tipo de insolvência. Em comparação com Cruzeiro, Corinthians e Botafogo, por exemplo, o clube alviverde tem situação bem mais confortável.

Mas o Palmeiras tem um custo operacional alto e perdeu muito, desde março de 2020, em arrecadação com bilheteria e programa de sócio-torcedor. Para não demitir, não atrasar salários e não contrair débitos, o time alviverde vai inevitavelmente ter de negociar mais jogadores do que já previa.

A interlocutores, pessoas ligadas ao departamento de futebol do clube falam com clareza que não há jogador inegociável —e que a negociação prioritária é a simplesmente aquela que pagar mais.

Nessa hora, os olhos se voltam para os jogadores da base, é claro. Em especial para aqueles que já atingiram reconhecimento, como Danilo, Gabriel Menino, Patrick de Paula, Wesley, Gabriel Veron e Renan. Até o atacante Giovani, que pouco atuou pelo time, já recebeu sondagens.

Sobre Danilo, o Palmeiras ouviu interlocutores do Watford (ING), que chegaram a sondar se haveria negócio por 12 milhões de euros (cerca de R$ 76,7 mi). Esse valor está abaixo dos 15 milhões de euros (R$ 95,8 mi) que o clube imagina que possa conseguir pelo jogador.

O mesmo montante é o estimado para uma eventual venda de Patrick, meia que o Palmeiras já recusou ceder ao Benfica (POR) por 10 milhões de euros (cerca de R$ 66 mi). Por Gabriel Menino, ligado ao Chelsea (ING) e ao Atletico de Madrid (ESP) no início do ano, o time quer 20 milhões de euros (cerca de R$ 123 mi).

O Palmeiras já recebeu oferta de 8 milhões de euros (cerca de R$ 49 mi) de interlocutores de uma equipe da MLS pela venda de Wesley. O clube alviverde soube depois se tratar do Grupo City, que acabou levando Talles Magno, ex-Vasco, em acerto que pode passar de R$ 60 milhões a depender de certas metas.

Esse mesmo grupo sondou a contratação de Giovani por 10 milhões de euros. O Palmeiras, no entanto, entende que pode arrecadar, com o cumprimento de algumas metas, até 25 milhões de euros (R$ 154 milhões) com o jovem ponta de apenas 17 anos.

O clube ainda avalia uma eventual venda de Veron em 25 milhões de euros e outra de Renan em ao menos 8 milhões de euros. O atacante já teve seu nome ligado ao Manchester United (ING), mas a diretoria alviverde nunca recebeu uma oferta de fato, enquanto o zagueiro recebeu sondagens de Dínamo de Kiev (UCR) e Braga (POR), que não avançaram por tratarem de valores menores do que o esperado pelo Palmeiras.

Enquanto pensa nas joias, o Palmeiras já concluiu nesta quarta (9), e por valores bem mais modestos, a negociação do zagueiro Pedrão. Por 600 mil euros (cerca de R$ 3,6 milhões), o clube alviverde cedeu 70% dos direitos econômicos dele para o Nacional-POR.


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