MEDELLÍN — Enquanto o técnico do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda, falava com a imprensa, seu rosto refletia o sentimento do futebol mundial frente à tragédia que vitimou boa parte do elenco da Chapecoense, equipe que o Nacional enfrentaria nesta quarta-feira na final da Copa Sul-Americana.
— O grupo está profundamente abalado por tudo o que significam as vidas perdidas e as famílias das vítimas. Pensam muito em seus pais, filhos e esposas — afirmou o técnico. — Viajamos várias vezes e saber que essas pessoas perderam suas vidas não é fácil.
O treinador também se solidarizou com o futebol brasileiro:
— Pedimos a Deus que dê aos brasileiros fortaleza e resignação. Não é fácil ver pessoas queridas partindo de forma tão repentina. É algo triste e lamentável para todos nós, e rezaremos pelas famílias e pelos sobreviventes — afirmou o treinador. — É importante ser solidário com o mundo do futebol.
Apesar do pedido dos jogadores do clube para que o título da competição seja dada à Chapecoense, Rueda diz que a decisão deverá caber à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).
— Não somos os donos do torneio. Temos que ser solidários — afirmou. — É um dia triste, de muita dor. A todos nós que vivemos o dia a dia do futebol nos dói pensar nas expectativas deste grupo de jovens que tinham um desafio pela frente. Esse acidente os privou de disputar esse jogo tão importante.
Ao chegar a Medellín, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, informou que a entidade ainda não tomou nenhuma decisão sobre o futuro da final da Copa Sul-Americana.
— Sem dúvida, trata-se de uma iniciativa muito nobre. É o momento de começar a trabalhar, falar com responsáveis no Brasil e na Colômbia. Ainda não tive tempo de discutir o assunto — afirmou Domínguez. — Estamos à disposição. Viemos para dar qualquer ajuda possível, e talvez colocar um grãozinho de areia sobre este mar de dor.

