(UOL/FOLHAPRESS) - Duílio Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians, prestará depoimento na tarde desta quinta-feira (13) ao Ministério Público de São Paulo. O intuito é que o ex-dirigente explique sobre supostos gastos irregulares no cartão corporativo do clube durante a sua gestão, entre 2021 e 2023.
Procurado, ele não quis se manifestar. Mas o UOL apurou que ele vai negar as acusações, pois entende que estava dentro de suas prerrogativas de presidente do clube.
GASTOS NO CARTÃO
A investigação apura despesas consideradas incompatíveis com a função institucional exercida por Duílio enquanto presidia o Timão e que, segundo apuração do UOL, incluem pagamentos em cabeleireiro, loja de náutica, supermercados e compras no exterior.
O Procedimento Investigatório Criminal (PIC) foi instaurado para analisar se parte das movimentações feitas com o cartão corporativo do departamento administrativo do clube tinha relação com atividades do Corinthians ou se configurava uso de finalidade pessoal.
A apuração já resultou em requisição de documentos, análise de extratos e oitiva de pessoas ligadas à administração alvinegra. No dia 23 de outubro, por exemplo, Denilson Grilo, ex-motorista de Duílio, foi ouvido pelo promotor Cássio Roberto Conserino.
Conforme soube a reportagem, os gastos citados acima chamaram a atenção do Ministério Público por apresentarem suposta desconexão com demandas esportivas ou administrativas da instituição.
A intenção do MP é esclarecer quem autorizou cada despesa, qual era a finalidade, e se houve prestação de contas interna para justificar os valores.
O depoimento de Duílio é considerado decisivo para esclarecer qual era a política de uso e autorização do cartão corporativo, quem tinha acesso ao meio de pagamento, quais despesas foram feitas diretamente pelo ex-presidente, como funcionava o controle interno da diretoria e se os itens apontados tinham justificativa funcional.
Após ouvir Duílio Monteiro Alves e analisar documentos complementares, o Ministério Público poderá abrir novas diligências, solicitar mais informações e até mesmo encaminhar a denúncia ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Não há prazo definido para conclusão do procedimento.
ENTENDA O CASO
O Corinthians é tratado como vítima no Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre o uso de cartões corporativos do clube nas gestões de Andrés Sánchez (2018-2020), Duílio Monteiro Alves (2021-2023) e Augusto Melo (2024 - maio de 2025).
No caso de Andrés Sánchez, o MP denunciou formalmente o ex-presidente à Justiça através da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Comarca de São Paulo pelos crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário, relativos ao período de agosto de 2018 a fevereiro de 2021.
Em relação à gestão de Duílio Monteiro Alves, há apurações sobre gastos com cartões corporativos que podem não ter finalidade institucional, bem como investigação complementar sobre notas fiscais frias ou empresas de fachada que teriam sido usadas para registrar despesas sem ligação clara com as atividades do clube.
Além dos dois, o ex-presidente Augusto Melo também integra o escopo da investigação.
Embora o Ministério Público ainda não tenha entrado definitivamente na fase de denúncias relacionadas a seu mandato - por seguir a ordem cronológica, ele já é alvo de outra frente de apuração.
A Polícia Civil indiciou o ex-presidente por crimes de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro, referente ao caso Vai de Bet.
A investigação criminal sobre cartões corporativos e a policial sobre o escândalo do patrocínio do Corinthians com a casa de apostas correm em frentes paralelas.

