Recebe, defende e passa, mas não ataca. A vida de Gabriella Souza mudou completamente em um ano. De capitã e ponteira do Osasco, a niteroiense passou a líbero no Sesc RJ, de Bernardinho. A nova camisa 1 da seleção brasileira aceitou uma sugestão feita pelo técnico José Roberto Guimarães há dois anos, quando ainda se destacava no ataque. A proposta surpreendeu, mas Gabiru amadureceu a ideia e hoje é titular na equipe que inicia a luta pelo inédito título do Mundial de vôlei feminino, em Hamamatsu, no Japão.
O Brasil está no Grupo D e encara Porto Rico na madrugada de amanhã, à 1h40 (de Brasília). Domingo, no mesmo horário, enfrenta a República Dominicana. O Sportv 2 transmite. A chave também tem também Sérvia, Cazaquistão e Quênia.
Aos 24 anos, Gabiru é a sexta aposta de Zé Roberto como líbero desde a aposentadoria de Fabi, em 2014. Antes dela, Camila Brait, Fabíola, Léa, Suellen e até Jaqueline passaram pela posição.
— A responsabilidade é maior — diz a jogadora, de 24 anos. — Como você tem apenas duas funções em quadra, que é passar e defender, precisa fazer muito bem feito. Como ponteira, você pode sair, substituir, ter ajuda de alguém. Ali, como líbero, é você e você. Não é um problema, mas é uma dificuldade maior.
Adaptação à nova função
A nova função exige mais da atleta, que passou a fazer um treinamento específico assim como uma goleira no futebol. No entanto, Gabiru tem que enfrentar um outro entrave para deslanchar como líbero: o fantasma de uma séria lesão. Em outubro de 2017, ela sofreu uma ruptura do ligamento do joelho e direito só voltou a jogar em julho deste ano, durante os amistosos da seleção.
Ainda em fase de recuperação e sem estar 100%, a líbero garante que se sente bem.
— O meu maior questionamento era se conseguiria voltar, se seria capaz — relembra. — Clinicamente, me sinto bem e capaz de fazer tudo. Estou me adaptando e sei que preciso aprimorar muito mais a técnica e os fundamentos.
Uma das sete novatas da nova geração do vôlei feminino, campeão olímpico na Rio-2016, Gabiru se diz preparada para sofrer a pressão de estar em uma função exercida anos por Fabi, ícone entre as líberos mundiais. A jovem não quer ficar à sombra da ex-atleta, mas ganhar o seu espaço.
O tempo para atingir a melhor performance como líbero pode demorar um pouco. Por isso, ela não rejeita voltar a ser ponteira um dia, se necessário. Mas não passa pela sua cabeça agora, já que o foco é investir como líbero.
— Quando me machuquei, desisti de ser ponteira (risos). Preparei a minha cabeça para ser líbero e voltar na função. Hoje, se realmente achar que não consigo assumir esse papel, não terei problema em voltar à antiga posição.
Sonho de jogar no Rio
A troca de função veio com o desafio de mudar de cidade. Após cinco anos no Osasco, Gabiru assinou com o Sesc-RJ, um desejo antigo. A vontade de estar perto da família e dos amigos, além da praia, um dos lazeres preferidos, falou mais alto.
— A volta foi uma felicidade . Achei que não teria mais a oportunidade, pelo rumo da minha carreira. Ainda bem pude fazer essa mudança, que me ajudou muito na recuperação — conta.
Sonho também é estar em um Mundial adulto, já que ela veio da base e teve a chance de disputar o torneio no infanto-juvenil, sub-20 e sub-23 como ponteira. Agora, na seleção principal, busca o troféu que a equipe ainda não tem:
— O Brasil é um dos favoritos. Uma mescla de caras novas e meninas experientes. O time está forte.

