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Depois de um ano, Calazans treina para voltar ao Fluminense

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Enquanto conversa com o preparador físico Gabriel Pinho, Marquinhos Calazans pede exercícios mais fortes, mais longos, mais duros. Controlar a ansiedade é uma das partes mais difíceis de um árduo processo de recuperação que já dura um ano. Foi no dia cinco de agosto de 2017 que o atacante do Fluminense entrou em campo pela última vez em um jogo oficial. Hoje, na partida contra o Bahia, às 19h, no Maracanã, ele ainda ficará de fora.

Depois de uma contusão e uma cirurgia, faltavam apenas dois meses para o retorno quando, em dezembro do ano passado, ele foi obrigado a retomar o processo do início. Na noite em que o Flamengo perdeu a final da Copa Sul-Americana, dois homens identificaram Calazans em uma lanchonete em Vista Alegre, na Zona Norte. Ele foi provocado pelos torcedores, perseguido e agredido. Um dos golpes atingiu justamente o joelho em recuperação e causou nova lesão nos ligamentos. Calazans voltou à estaca zero.

Família e séries

A bola, melhor amiga, ainda está distante. Ele ainda não foi liberado para treinar com ela.

— Quero entrar em campo, meter gol, errar, dar carrinho, poder tomar cartão, ajudar a equipe de qualquer forma. Nem sei explicar o que vai passar na minha cabeça. Acho que vai ser uma reestreia, no momento mais difícil da minha carreira.

Ficar tanto tempo longe do gramado é um desafio para qualquer jogador, ainda mais para um de 22 anos, que ainda não se firmou no time que o formou. Para não se perder dentro da inatividade, Calazans costuma se apoiar em uma agenda que nada tem a ver com futebol.

No mês passado, viajou com a namorada, Letícia, para Gramado-RS, e passou uns dos melhores dias de seu ano. Ela está grávida de um menino, Antônio, e os dois se casarão em 2019. Em casa, o atleta tem se dedicado a séries e momentos em família. Atualmente, vê “Unsolved”, que conta a história das mortes dos rappers Tupac e Notorious B.I.G. A família se faz presente nos domingos, em almoços que reúnem todos.

— Eu sou um cara que não tem religião, me apego à minha fé, a esses momentos em família, com os amigos, jogando conversa fora.

Em campo, Calazans ganhou um grande amigo. O atacante Felipe Sampaio, da base, que também sofreu uma lesão no joelho, tem sido um grande companheiro na recuperação. Correm juntos, incentivam-se mutuamente e brincam como podem. Para Felipe, Calazans é o Wolverine, por conta dos parafusos e das intervenções cirúrgicas no joelho. O atacante responde:

— Eu falo que o joelho dele tem tapuru, aquele bichinho que dá no lixo, quando tá podre. Mas o Felipe foi quem mais me ajudou.

Apoio de Abel Braga

Muitos colegas de clube deram apoio a Calazans. Um dos maiores incentivadores foi o goleiro Julio César, que o visitou no hospital e sempre quis saber como ele estava, assim como o ex-técnico Abel Braga.

— Ele conversava muito com os jovens, e sempre mantinha contato comigo. Foi um cara que sempre me passou muita força.

Ainda faltam algumas etapas importantes antes do retorno aos gramados. Mas hoje o atacante trabalha com a noção de que o pior passou. A lesão e a agressão (sobre a qual nem gosta de falar) ficaram para trás. O futuro é um campo aberto, com desafios que ele conhece bem.

— É muito triste você ver uma coisa que você tinha costume de fazer e estar impedido. Você vê os jogos pela TV, quer estar lá, ajudar, mas não pode. Eu acredito que os obstáculos aparecem para serem superados. Grandes ou pequenos, vou passar por cima. A vontade é de 1000%.

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