SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Corinthians foi punido pela Fifa com um transfer ban por uma dívida de cerca de R$ 33 milhões com o Santos Laguna pela compra do zagueiro Félix Torres. A negociação entre os clubes pela chegada do atleta durou cerca de um mês e rendeu uma novela. A reportagem relembra.
NOVELA FÉLIX TORRES
O Corinthians demonstrou interesse em Félix Torres em dezembro de 2023. Presidente eleito, Augusto Melo se uniu a Rubens Gomes, o Rubão, para negociar com o Santos Laguna, do México, pelo zagueiro da seleção equatoriana.
As conversas começaram positivas, mas os entraves chegaram. O Santos Laguna exigiu uma parte do pagamento à vista e passou a retardar a liberação do defensor, dando início à novela. Até os locais dos exames médicos causaram discordância entre os clubes.
A novela virou o ano. A então nova diretoria esperava anunciar Félix Torres no dia de tomar posse, mas o atraso no envio dos documentos do zagueiro por parte do Santos Laguna impediu que isso acontecesse naquele dia, o Corinthians anunciou Garro, Raniele e Diego Palacios.
O empresário de Félix Torres teve de viajar ao México para conseguir a liberação. Após muitas conversas, o defensor foi liberado dos treinos da equipe e viajou para o Brasil.
O Corinthians anunciou a contratação do zagueiro no dia 14 de janeiro de 2024. Ele assinou contrato com o clube paulista até o final de 2027.
A contratação foi fechada em 6,5 milhões de dólares (R$ 35,1 milhões) pagos da seguinte maneira: uma entrada à vista, duas parcelas em 2024, duas em 2025 e uma em 2026.
MONTANHA-RUSSA NO BRASIL
Félix Torres nunca se tornou uma unanimidade no Corinthians. O equatoriano soma 77 jogos pelo clube, tem um gol marcado e acumula críticas.
O defensor chegou como titular. A entrada nos 11 iniciais foi "facilitada" porque Lucas Veríssimo, então titular, deixou o Corinthians logo que o equatoriano desembarcou no Brasil.
Falhas e outras chegadas levaram o zagueiro ao banco. Félix perdeu espaço com a consolidação dos seus concorrentes André Ramalho, Gustavo Henrique e Cacá.
Nova chance e vacilo marcaram o começo de 2025. Félix Torres fez parte do revezamento do técnico Ramón Díaz no Paulistão e reconquistou o espaço como titular ao lado de Gustavo Henrique com atuações mais seguras. O equatoriano flertou com ser vilão na final do estadual. No jogo da volta contra o Palmeiras, ele cometeu um pênalti em Vitor Roque defendido por Hugo e, no lance seguinte à defesa, acabou expulso por falta dura.
Félix voltou a perder espaço. Com a saída de Ramón Díaz e após os primeiros jogos de Dorival, o equatoriano passou a jogar menos e foi para o fim da fila na zaga. No seu melhor momento sob o novo comando, ele atuou improvisado como lateral-direito na ausência de Matheuzinho. Com a volta do titular, retornou ao banco.
CAUSA DE TRANSFER BAN
O Corinthians deve cerca de R$ 33 milhões (US$ 6,1 milhões) pela compra do zagueiro equatoriano, realizada no início do ano passado. Os mexicanos alegam que receberam apenas a primeira parcela da compra, no valor de 2 milhões de dólares.
O Santos Laguna acionou a Fifa em maio de 2024, após o fim do prazo que o Corinthians tinha para quitar a segunda parcela. Além dos 4,5 milhões de dólares restantes do negócio original, o clube alvinegro deve arcar com multas, que completam o valor de US$ 6,1 milhões devidos.
Após ser notificado pela Fifa, o departamento jurídico do Corinthians recorreu ao CAS (Corte Arbitral do Esporte) para evitar a punição, mas perdeu em todas as instâncias. O clube tinha até a última segunda para quitar o débito à vista. Corinthians e Santos Laguna se reuniram nas últimas semanas, mas não chegaram a um acordo amigável para resolver a questão.
O Corinthians ainda pode enfrentar outras duas punições referentes à contratação de Garro e a rescisão de Matías Rojas. Ambos os casos se arrastam desde o ano passado e estão em trâmite nas instâncias esportivas. O clube foi condenado pela Fifa nos dois casos, mas recorreu.
Por ora, o Corinthians não pode registrar jogadores por três janelas de transferências. O período inclui a atual e as duas que vêm pela frente.



