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Crise e seleção enxuta exigiram melhores marcas dos nadadores

Após a segunda melhor campanha do Brasil em número de medalhas em Mundiais, Alberto Silva, um dos técnicos do Brasil e do Pinheiros, clube que mais enviou atletas a Budapeste, afirma que a intervenção e a crise política e econônima da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) chegou a “ajudar os nadadores”. Ele acredita que é uma tendência o Brasil enviar aos Mundiais delegações mais enxutas, entre 16 e 20 atletas, como ocorreu nesta edição na Hungria. O Brasil, que costumava mandar mais de 20 nadadores para estas competições, levaria apenas 8 atletas mas conseguiu bancar 16.

— Lógico que afetou toda a comunidade e nós não conseguimos ter um planejamento, os vários técnicos senterem com a diretoria da CBDA e pensar em treinos em altitude e etc. Mas vejo como tendência ter um número restrito de vagas e, consequentemente, de atletas mais bem preparados. Esse é o aprendizado que tiro em relação a 2016. E se a gente tiver condição financeira melhor, não devemos usar esse dinheiro para inchar a delegação. É continuar com o sarrafo bem alto para exigir do time absoluto e investir no time júnior, de 16 e 19 anos — disse o técnico.

Ele comentou ainda que é uma questão de tempo o Brasil equilibrar os resultados positivos nas provas olímpicas em comparação às não olímpicas.

Isso porque o Brasil ganhou 8 medalhas, sendo 2 ouros, 4 pratas e 2 bronzes (somando maratonas aquáticas e natação). E das cinco medalhas da natação, três foram conquistadas em provas não olímpicas. E, das três obtidas por Ana Marcela nas maratonas, duas foram em provas fora do programa olímpico.

O Brasil obteve a segunda melhor campanha da história da competição em número de medalhas. Em Barcelona-2013, o país obteve mais medalhas, dez, e em Xangai-2011, mais ouros, 4.

— Temos resultados nas provas olímpicas. Precisamos é de regularidade. A Etiene (26 anos) pode brigar pela final dos 100m costas. Talvez ainda não por medalha, mas é uma questão de tempo, amadurecer. Felipe Lima (34 anos) foi medalhista no Mundial, em Barcelona, nos 100m peito. João Gomes (31 anos), finalista olímpico (100m peito), o melhor resultado do país no Rio. Nos 100m borboleta, Henrique Martins (25 anos) melhorou seu tempo, indo à semifinal. Está em ascensão. São circunstâncias de competição. Temos de valorizar essas medalhas que são tão importantes quanto qualquer outra.

O técnico destacou ainda o retorno de Cesar Cielo (8º nos 50m livre) e a conquista do 4x100m livre, que não tinha essa formação no início do ano (Gabriel Santos, Marcelo Chierighini, Cielo e Fratus). O revezamento foi prata após 24 anos em Mundiais (desde Roma-1994) e após 17 anos em competições relevantes (desde Sydney-2000).

— O retorno de Cielo foi melhor do que eu esperava. Acredito que, em uma ou duas temporadas, ele chegará no nível que estava antes. É natural para quem ficou quase um ano parado e ainda está retomando o aspecto físico e o mental, de se sentir à vontade competindo novamente.

Albertinho comentou que hoje, o melhor nadador do Brasil é Bruno Fratus, que foi prata nos 100m livre.

— Ele vive sim o melhor momento da carreira. Infelizmente ou felizmente, não sei. Claro que a gente gostaria que já tivesse acontecido no ano passado nos Jogos Olímpicos. Acho que hoje ele é o nadador mais efetivo, com potencial de agredir os adversários e de chegar a uma medalha. Em qualquer competição que entrar, será apontado como um provável medalhista.

A campanha do Brasil em Budapeste supera a última edição, em Kazan-2015, quando foram 7 pódios (2 pratas e 2 bronzes na natação e 1 ouro e 2 bronzes nas maratonas aquáticas).

O Brasil terminou em 10º lugar no quadro geral (4º nas maratonas aquáticas e 9º na natação). Os Estados Unidos foram o campeões (46 medalhas no total), à frente de China (30) e Rússia (25).

— Espantou o “fantasma” do ano passado. Os atletas voltaram a sentir como é bom estar no alto nível do esporte mundial — comemorou Ricardo Prado, coordenador geral de esportes, referindo-se à Rio-2016, quando a natação não subiu ao pódio e apenas Poliana Okimoto ganhou o bronze na maratona aquática.

— O resultado no Rio é que foi atípico. Aqui é o resultado natural, com uma gama interessante de atletas chegando às finais (12 finais) ou criando condições de ganhar medalha. A natação está retomando o caminho — completou Albertinho.

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