PORTO ALEGRE, RS (UOL/FOLHAPRESS) - Eduardo Coudet tem se mostrado um estrangeiro fora do comum no futebol brasileiro. Enquanto o padrão dos treinadores de outros países mostra o apego absoluto a seus conceitos de futebol, o argentino do Internacional se mostra maleável. Em campo, ainda que tenha como ideia principal sempre atacar, parece já ter entendido as necessidades que cada jogo apresenta o próximo deles é diante do Bahia, neste domingo (6), a partir das 16h, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro. Ele mesmo admite isso. No início do ano, quando o time disputava a pré-Libertadores, Coudet foi questionado neste sentido. Conhecido por montar equipes ofensivas, ele levou o Inter a manter o resultado e arriscar o mínimo possível tanto contra Tolima (COL) quanto contra Universidad de Chile (CHI) fora de casa. Naquela altura, em entrevista coletiva, explicou que, por ser uma eliminatória de dois jogos, no início da temporada, ainda conhecendo o grupo de jogadores e suas características, o mais importante naquele momento era conseguir a classificação. Não correr risco de, como muitos times importantes já fizeram, cair prematuramente do torneio de clubes mais importante do continente. E os resultados comprovaram que abrir mão de suas ideias foi um acerto. O Inter empatou ambos os jogos fora de casa em 0 a 0. Trocou passes, recuou, se defendeu, não foi nada do que Coudet sempre defendeu naqueles jogos. Em casa, se soltou e bateu os dois rivais. No Campeonato Gaúcho, a premissa foi sempre a mesma: atacar. Mas, no Brasileiro, o argentino já mostrou que não é apegado ao estilo. A meta de sempre ter a posse da bola ou de seguir atacando mesmo quando estiver à frente no placar deixou de guiar o time contra o Atlético-MG, por exemplo. Na ocasião, depois de abrir o placar e tentar uma ou outra chegada, o Inter fechou-se à frente da meta de Marcelo Lomba e defendeu o quanto pôde o resultado. Acabou vencendo, mesmo que terminasse o jogo com bem menos posse de bola que o rival. Na última quarta (2), contra o Palmeiras, a busca pelo ataque já nos acréscimos e com 1 a 0 no placar gerou reclamação. Coudet queria exatamente que o time mantivesse a bola e defendesse o resultado, algo que havia feito em outros momentos. Mas não fez, e acabou sofrendo o empate. A conduta maleável o difere de estrangeiros de sucesso no país. Figuras recentes no futebol brasileiro, Jorge Sampaoli e Jorge Jesus, por exemplo, nunca afastavam-se um centímetro sequer das ideias que têm de jogo. No contato diário também residem diferenças. Coudet não é o tipo de profissional que chama para si holofotes além dos que já tem. Não gosta muito de entrevistas, prefere trabalhar em campo. Não quer chamar atenção demais. Na relação com os superiores, não é o tipo que repete pedidos e exigências. Ainda que tenha citado as necessidades do time uma ou duas vezes, e até "falado demais" em coletivas, tendo atenção chamada pelos cartolas, Coudet sempre faz questão de dizer que está ciente do que pode esperar e que não reclama do que está à sua disposição. Até mesmo algumas palavras em português já tentou com os jornalistas. E garante que só não fala mais porque se sente envergonhado e tem medo de tropeçar em termos mais complicados. Entre os sorrisos óbvios que brotam pela boa campanha no Inter, o argentino parece totalmente adaptado. Tanto que está alugando uma casa em Porto Alegre para trazer a família que segue na Argentina para o acompanhar. Já superou a desconfiança inicial, uma vez que se adaptou ao contexto do futebol brasileiro, e cada vez menos lembra um treinador estrangeiro. A exigência de intensidade em jogos e treinos, os gritos no campo, as atividades que levam o grupo à exaustão, porém, essas não mudaram nada. E nem irão mudar, independentemente de ser padrão ou não entre os estrangeiros que chegam ao Brasil. INTERNACIONAL Marcelo Lomba; Saravia, Zé Gabriel, Víctor Cuesta e Matheus Jussa; Johnny, Edenilson, Boschilia e Patrick; D'Alessandro e Thiago Galhardo. T.: Eduardo Coudet BAHIA Douglas; Nino Paraíba, Lucas Fonseca, Juninho e Juninho Capixaba; Gregore, Daniel, Élber, Rodriguinho e Rossi; Gilberto. T. (interino): Cláudio Prates Estádio: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS) Horário: 16h deste domingo (6) Árbitro: Bráulio da Silva Machado (SC)
