A mística de São Januário estava com todos preparativos montados. Ingressos esgotados, torcida eufórica, treino aberto na véspera com imenso apoio dos torcedores mais apaixonados. Após a pausa para a Copa do Mundo, Vasco e Bahia se reencontraram em duelo válido pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. E a pausa surtiu apenas parcialmente efeito. No que diz ao ritmo de jogo a equipe cruz maltina tentou mais o jogo. Mas o placar de 2 a 0 não foi suficiente para o que era necessário.
O primeiro jogo foi no início de maio, há 70 dias, quando os treinadores e as formações técnicas eram outras — assim como a fase das equipes. Naquela partida, na Arena Fonte Nova, os baianos abriram larga vantagem com um sonoro e fácil 3 a 0.
Com um primeiro tempo desanimador que tinha até os 30 minutos apenas uma finalização da equipe vascaína, em um chute mascado nas redes pelo lado de fora de Andres Ríos, a torcida exigia aos gritos, de forma uníssona, a entrada de Kelvin. Mas os gritos não durariam mais de um minuto. Em jogada do próprio Ríos, o juiz marcou um pênalti, duvidoso — que provavelmente não seria marcado se o árbitro de vídeo já estivesse em prática, mas só inicia nas quartas de final da competição.
No começo do jogo, quem mais se destavaca no ataque era Giovanni Augusto, escalado em campo de forma mais ofensiva que o usual pelo técnico Jorginho. A necessidade emergencial de fazer gols, fez o Vasco se lançar ao ataque desde o primeiro minuto de jogo, mas o clube carioca não conseguia converter o controle da bola em jogadas de perigo, tão pouco em finalizações ao gol de Anderson. Com uma formação no papel de 4-3-3, Wagner tinha a missao de construir jogadas, mas não foi eficiente. A missão sobrou mais uma vez para a criatividade e presença de Pikachu por todo o campo, confundindo a zaga baiana com constantes variações de posicionamento.
A estratégia dava certo, mas não servia ao propósito maior da equipe vascaína. Enquanto isso, o time de Enderson Moreira recuava e armava contra-ataques, quase sempre com Zé Rafael procurando o veloz Edigar Junior. Apesar de complicar a vida de Breno, a jogada não deu frutos no primeiro tempo.
O clube baiano foi um dos poucos da elite do futebol nacional que não ficou parado durante o Mundial da Rússia. Durante o último mês, participou das semifinais, quando superou o Ceará, e finais da Copa do Nordeste — onde foi derrotado pelo Sampaio Corrêa e ficou com o vice campeonato. O ritmo de jogo parece ter auxiliado para evitar que a equipe se desesperasse com a pressão carioca.
Buscando o placar de forma desesperada na segunta etapa, o Vasco precisava de pelo menos mais dois gols para levar a partida para as penalidades e de mais três para garantir a classificação direta. Do outro lado, o Bahia utilizava o tempo a seu favor e jogava com o regulamento no bolso para garantir sua classificação sem maiores sustos.
O que animou um pouco a partida e garantiu fôlego aos 25 minutos finais de jogo, foi o segundo gol da equipe cruz maltina. Em cruzamento de Yago Pikachu, Andrey chegou no segundo pau livre para cabecear para o fundo do gol.
Inflamado pela torcida e nervoso com o tempo rolando, o Vasco não parecia saber o que fazer com a bola além de trocar passes no entorno do campo do Bahia. Os baianos, por sua vez, se mantiveram da forma que decidiram ir a jogo desde o início nos cinco minutos finais da partida. Sem ninguém no ataque, a equipe buscava bons contra ataques, mas não preocupava com a ausência de chutes ao goleiro uruguaio Martín Silva — que não teve perigo nenhuma vez em toda a partida.
A eliminação da equipe carioca pode ser considera injusta aos que acompanharam a partida de hoje, mas o Vasco pagou pelos erros cometidos quando ainda era comandado por Milton Mendes. No cruz maltino carioca, assumiu Jorginho, ainda antes do Mundial. Na equipe de Salvador, Enderson Moreira largou o América MG e entrou no lugar de Guto Ferreira, demitido após deixar a equipe então na 18ª colocação do Brasileirão.
A mudança de treinadores, trouxe novos ares a partida mas não deu certo para o Vasco. Os elencos modificados e o esquema de jogo alterado não foram fundamentais na equação dos resultados combinado e a vaga na Copa do Brasil ficou com os baianos. Agora, o Bahia terá pela frente o Palmeiras, em data a ser definida.
O gramado castigado de São Januário não ajudou em nada para o espetáculo e o desenvolvimento das jogadas, mas não é justificativa para o jogo ruim apresentado. Ao Vasco, agora resta a disputa pelo Campeonato Brasileiro e a Sulamericana. O segundo semestre começou da mesma forma que o primeiros seis meses de futebol para os torcedores vascaínos: decepcionante. E olha que eles não mereciam, apoiaram do início ao fim e aplaudiram a corrida incessante que a equipe apresentou. Faltou capricho.

