Esporte individual que mais conquistou medalhas na Rio-2016, três, a ginástica terá uma seleção enxuta e novata no 47º Mundial da modalidade. Cinco atletas, com chances de chegar às finais de seus aparelhos e zerados de lesões e cirurgias, formam o grupo que está no Canadá: Arthur Zanetti (prata nas argolas na Olimpíada), Arthur Nory (bronze no salto), Caio Souza, Rebeca Andrade e Thais Fidelis. No Mundial de 2015, por equipes, o Brasil teve 14 atletas. E no último evento individual, em 2013, foram oito.
O Mundial será realizado no Estádio Olímpico de Montreal, a cidade dos Jogos de 1976, a partir de amanhã e vai até o dia 8. O Sportv transmitirá ao vivo todas as finais. O Brasil estreia na terça, no masculino e, segundo sorteio, fechará a disputa, competindo por último e com a vantagem de saber as notas dos rivais.
Como esse Mundial não é classificatório para Tóquio-2020, servirá como adaptação ao novo Código de Pontuação (notas de partida diminuídas).
— Esses são os ginastas que podem buscar o maior número de finais e com possibilidade de medalhas — explicou Marcos Goto, coordenador das seleções, que aposta que nessa competição individual devem aparecer novos talentos.
Por ser em ano pós-olímpico, o evento não conta com muitos astros, como a americana Simone Biles, que ganhou quatro ouros na Rio-2016, e que está em ano sabático. Há ginastas que se aposentaram e outros que recuperam o corpo do desgaste do ciclo anterior.
Pelo Brasil, por exemplo, Diego, prata no solo na Rio-2016, ficou fora porque não está 100% recuperado da cirurgia que fez na coluna, em dezembro. Francisco Barretto, quinto na barra fixa na Olimpíada, não viajou após trauma na região lombar, no início de setembro. Jade, que trata uma contusão no pé, e Flávia Saraiva, recuperando uma lesão na coluna, são outros desfalques.
Já Daniele Hypolito, que tinha índice, foi cortada pois a comissão técnica avaliou que ela não teria chances de chegar a uma final.
Ainda assim, o Mundial terá 29 medalhistas olímpicos ou mundiais, incluindo os dois brasileiros. Destaque para o japonês Kohei Uchimura, dono de sete medalhas olímpicas, com dois ouros na Rio-2016 (individual geral e por equipes) e 19 medalhas em mundiais (dez ouros, incluindo por equipe). A lista tem ainda o russo Denis Abliazin, que tem cinco pódios olímpicos (bronze na Rio-2016 nas argolas) e dois mundiais; Max Whitlock, da Grã Bretanha, com cinco conquistas em olimpíadas (ouro no solo e no cavalo com alças na Rio-2016) e cinco em mundiais; e o grego Eleftherios Petrounias, campeão olímpico na Rio-2016 e mundial, em 2015, nas argolas. Entre as mulheres, a romena Catarina Ponor, é o destaque absoluto: tem cinco medalhas olímpicas (três ouros) e cinco mundiais, além da russa Maria Paseka, com quatro medalhas olímpicas (prata no salto e por equipes em 2016) e uma mundial.
Até Zanetti, dono de três medalhas em Mundiais, um ouro e duas pratas, era dúvida após operação no ombro esquerdo e lesão no antebraço, em agosto.
— Consegui me recuperar, o ombro está zerado, sem dor alguma. Estou melhor do que em 2016 porque na Olimpíada estava sofrendo um pouco. — disse o campeão em Londres-2012. — Chegarei em Tóquio na minha melhor forma, terei 30 anos, o auge da força para o homem.
Segundo Jorge Bichara, gerente de Performance Esportiva do Comitê Olímpico do Brasil, devido às cirurgias e contusões do início do ano, os brasileiros estão em diferentes níveis de preparação. Era dúvida se Nory disputaria o individual geral, mas terá pela frente o solo e a barra fixa. Nory também entrou na faca: operou o pé e o ombro direitos.
— Mundial é uma competição, no aspecto quantitativo, mais difícil que Olimpíada. E, apesar de uma seleção enxuta, é forte — observa Bichara, que afirma que após a Rio-2016, o COB está ainda mais presente nas decisões da modalidade e manteve investimento de R$ 2,5 milhões (incluindo a manutenção do CT no Maria Lenk).
Rebeca, recuperada de lesão no pé, e Thaís estreiam em mundiais. As duas disputarão o individual geral, assim como Caio. Zanetti fará as argolas.
Nada que as deixe inseguras: em 2017, Rebeca obteve a segunda melhor média da temporada no salto, na etapa de Varna da Copa do Mundo. E Thaís, de 16 anos, terminou o circuito em primeiro no ranking do solo e da trave, após três ouros em Varna e Osijek. A novata acaba de chegar ao adulto (não tinha idade mínima para entrar na Rio-2016).
— A Copa do Mundo me preparou muito bem para o Mundial. Estou confiante e acho que vou me sair bem nessa nova fase, mesmo com competições mais fortes e com cobrança também — espera Thaís.
O Brasil viajou para o Canadá com duas semanas de antecedência para adaptação aos aparelhos da marca Gymnova, os do evento. O país não tem o cavalo e a barra fixa desta marca. Neste sábado, os meninos realizaram o treino de pódio. E neste domingo, será a vez das meninas.
— Temos Spieth e Gymnova, as mais usadas nas grandes competições. Mas não temos dois aparelhos do masculino da marca francesa. Além disso, quanto mais se usa um aparelho, mais desgastado fica. É interessante que os ginastas treinem em aparelhos novos, duros, para testar o controle da força de seus movimentos — explica Bichara. — A ginástica pode crescer muito ainda e por isso estamos mais próximos.
*Horário de Brasília
Domingo (1)
9h às 21h — Treino de pódio feminino — subdivisões 3, 4 e 5 (Brasil)
Segunda-feira (2)
Qualificatória masculina
10h30 — subdivisão 1
15h — subdivisão 2
19h — subdivisão 3
Terça-feira (3)
Qualificatória masculina
10h30 — subdivisão 4 (Brasil)
Qualificatória feminina
17h — subdivisão 1
20h — subdivisão 2
Quarta-feira (4)
Qualificatória feminina
14h — subdivisão 3
17h — subdivisão 4
20h — subdivisão 5 (Brasil)
Quinta-feira (5)
19h20 — Apresentação Cirque du soleil
20h — Final individual masculino
Sexta-feira (6)
19h20 — Apresentação Cirque du soleil
20h — Final individual geral feminino
Sábado (7)
14h — Final por aparelhos
Masculino — solo, cavalo com alças e argolas
Feminino — salto e barras assimétricas
Domingo (8)
14h — Final por aparelhos
Masculino — salto, paralelas e barra fixa
Feminino — trave e solo

