SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A CBB (Confederação Brasileira de Basquete) resolveu entrar em conflito com argentino Ruben Magnano, treinador da seleção masculina de basquete do Brasil nos últimos dois ciclos olímpicos. Em nota institucional, sem assinatura, a entidade rebateu críticas feitas pelo técnico de que faltava comprometimento a alguns atletas da seleção e atacou o argentino, dizendo que ele não deixou nenhum legado ao país --com ele, o Brasil voltou a uma Olimpíada, em Londres, após 16 anos de ausência. "Ao invés de se eximir da culpa, Rubén Magnano precisa aceitar que os sete anos de trabalho à frente da seleção brasileira masculina adulta não deixaram qualquer legado para o basquete brasileiro, mesmo com o salário astronômico que recebia. Mais do que isso, precisa explicar o motivo disso. Culpar seus comandados durante todo esse período é saída fácil, baixa e covarde", reclamou a CBB, no comunicado. Foi a própria confederação que aceitou pagar os altos valores citados ao treinador campeão olímpico. Pelo Twitter, o CEO da CBB, Marcelo Sousa, braço-direito do presidente Guy Peixoto, disse que Magnano está "no lixo do basquete brasileiro". O treinador comandou a seleção brasileira por seis anos e meio e saiu após os Jogos Olímpicos do Rio, quando o Brasil foi eliminado na primeira fase. Antes, o argentino levou a seleção ao quinto lugar em Londres-2012 e ao sexto lugar no Mundial de 2014. No ano passado, já sem ele, na gestão Guy, a seleção foi 13ª no Mundial e mesmo assim o técnico Aleksandar Petrovic foi mantido no cargo. Em uma live de Instagram na semana passada, mas que começou a repercutir no domingo (14) na comunidade do basquete brasileiro, Magnano relacionou a falta de um resultado expressivo treinando o Brasil à dificuldade de conseguir comprometimento de uma geração de jovens jogadores. "O tema do compromisso em uma seleção nacional é determinante na hora de buscar o resultado. Não consegui de pronto o compromisso que eu queria com os jovens para formar parte da seleção. Sem o compromisso é muito difícil, por mais que se tenha nome e talento", disse Magnano, citando também que parte dos brasileiros que estava na NBA jogava pouco por suas equipes. Durante boa parte de sua passagem pelo Brasil, ele teve que lidar com pedidos de dispensa. Marquinhos, Leandrinho e Nenê, entre outros, recusaram convocações. O técnico nunca escondeu o incômodo, mas reabriu as portas da seleção aos veteranos, que reclamavam de serem expostos ao serem convocados mesmo depois de avisarem que não poderiam aceitar o chamado. Magnano não abria mão de chamar os que considerava os melhores. Na véspera da Olimpíada do Rio, Lucas Bebê, Bruno Caboclo e Cristiano Felicio pediram dispensa para disputarem a liga de verão da NBA, deixando o treinador "chateado", como contou na época. "Faz anos que estou tentando uma convocação com atletas mais jovens. Mas muitos casos ainda vão muito além. Não é por falta de vontade nossa", disse o treinador na primeira entrevista coletiva da fase final de treinamentos para os Jogos de 2016. Já na ocasião, ele reclamava dessa falta de comprometimento, citando que queria ter Bebê e Felício no grupo, mas não podia. Depois, com Varejão cortado, ele acabou convocando Felicio. Agora a CBB se solidariza com os atletas. Na nota, manifestou "repúdio" contra s declarações do argentino e citou que ele falou em falta de comprometimento "mesmo tendo comandado uma geração comprovadamente talentosa".
