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Caixa aceita negociar dívida do Corinthians pela segunda vez em menos de três anos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Caixa Econômica Federal está disposta a renegociar pela segunda vez em menos de três anos a dívida do Corinthians pela construção do estádio do clube na zona leste de São Paulo, a Neo Química Arena.

O montante principal da dívida era de R$ 688 milhões (sem reajuste), antes da campanha de arrecadação liderada pela principal torcida organizada do clube, a Gaviões da Fiel, que abateu cerca de R$ 30 milhões do valor devido no financiamento.

A informação sobre a renegociação foi antecipada pela ESPN e confirmada pelo presidente do banco, Carlos Vieira, em entrevista à Folha.

Vieira propõe que o Corinthians insira a Neo Química Arena em um fundo patrimonial e depois venda cotas aos torcedores por R$ 100.

"Se você lançasse uma ideia dessas, rapidamente resolveria o problema. O torcedor do Corinthians é fanático, é apaixonado", disse. Ele calcula que o clube pode levantar R$ 1,5 bilhão na operação.

Questionado se não seria cedo para uma nova renegociação, o presidente da Caixa afirmou que as garantias dadas pelo Corinthians são sólidas e que o objetivo de uma futura operação é resolver o problema.

"A renegociação é feita no sentido de resolver a questão", disse. "Se é essa a proposta, não existe nem cedo nem tarde."

Em entrevista na tarde desta segunda-feira (8), o presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior propôs que o clube parasse de pagar a dívida para se concentrar em débitos mais importantes.

"Para de pagar o estádio, vai pagar as dívidas que temos que são mais urgentes para evitar bloqueio", afirmou, ponderando que a decisão não cabe a ele. "Para de pagar, acabou. Começa por aí. Temos que buscar uma solução, não temos dinheiro".

Nas demonstrações contábeis de 2024, porém, o Corinthians cita aumento de receitas e diz ter condições de honrar a dívida. "As condições gerais para cumprimento do fluxo de pagamento se mostram adequadas à geração de receitas do negócio."

A dívida total do Corinthians é calculada em R$ 2,6 bilhões, segundo relatório.

O Corinthians iniciou a construção do seu estádio em 2011, usando dinheiro captado por empréstimos bancários e certificados de incentivo ao desenvolvimento. Executada pela Odebrecht (atual Novonor), a obra também se beneficiou de benefícios fiscais concedidos pela Prefeitura de São Paulo.

Naquela época, o clube era presidido por Andrés Sanchez, empresário, ex-deputado federal pelo PT e amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é torcedor do Corinthians. Em janeiro deste ano, o chefe do Executivo fez uma doação via Pix no valor de R$ 1.013, em referência ao número de urna do PT (13), como parte da campanha para pagamento da dívida da arena em Itaquera.

Em 2013, o clube assinou contrato de empréstimo com a Caixa, em operação que usava recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para construção de estádios da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

Presença frequente em Brasília, Andrés já esteve com Lula durante o terceiro mandato do petista e com representantes do banco para discutir o tema da renegociação da dívida da arena.

Além das dificuldades financeiras, o clube vive uma crise política, com três ex-presidentes sob investigação do Ministério Público de São Paulo por apropriação indébita agravada, furto qualificado pelo concurso de agentes, abuso de confiança, estelionato, falsidade ideológica e associação criminosa.

Em agosto, o órgão pediu à Justiça a quebra de sigilo das faturas de cartões corporativos durante as gestões de Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo. Este último foi destituído no mês passado e substituído por seu vice, Osmar Stabile.

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