Após crise com Maradona, rúgbi da Argentina vive escândalo de racismo

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

01/12/2020 14h05 — em Esportes

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Três jogadores da seleção argentina de rúgbi, incluindo o capitão Pablo Matera, 27, viram-se envoltos num escândalo nesta segunda-feira (30), após terem seus históricos do Twitter expostos na internet.

Em postagens antigas que vieram à tona agora, eles fizeram comentários racistas, sexistas e xenófobos. A repercussão foi tamanha que Matera, Guido Petti e Santiago Socino apagaram suas contas na rede social.

Em 2012, quando defendia a seleção juvenil, Matera escreveu após disputar um torneio na África do Sul: "Por fim me vou deste país cheio de negros".

Os Pumas, como a seleção é conhecida, já vinham sendo criticados no país porque, em partida contra os All Blacks, da Nova Zelândia, no último sábado (28), não fizeram uma homenagem a Diego Maradona considerada à altura da dos rivais.

Os neozelandeses estenderam uma camiseta com o nome do craque argentino no chão antes de sua famosa coreografia haka. Os argentinos apenas usaram faixas negras nos braços e não reagiram à atitude dos adversários.

Nesta segunda-feira pela manhã, a equipe nacional postou nas redes sociais um vídeo pedindo desculpas e celebrando Maradona. Nele, Matera aparece dizendo: "Diego para nós sempre foi uma pessoa sumamente importante, uma pessoa que sempre nos apoiou e nos acompanhou".

Ele também deu entrevista ao jornal Clarín. “Sem dar muitas voltas, pedimos desculpas. À família do Diego, principalmente. E ao resto das pessoas que se sentiram mal. Nossa homenagem foi jogar a partida mais importante da história desse grupo pela camisa. E nosso legado como equipe é seguir o legado de Diego. Que fique sabendo que queremos continuar seu legado de unir os argentinos."

Horas mais tarde, porém, estourou o escândalo das ofensas discriminatórias.

A UAR (União Argentina de Rúgbi), que cuida do esporte no país, anunciou na noite desta segunda que Matera, Guido Petti e Santiago Socino estão suspensos da seleção até que saia a definição de um processo disciplinar que será instaurado.

A entidade ainda escreveu em uma postagem no Twitter que, "embora as mensagens tenham sido expressas entre 2011 e 2013 e não representem a integridade das pessoas que os três demonstraram ser durante este tempo em Los Pumas, condenamos qualquer expressão de ódio e a consideramos inaceitável".

Em perfis ainda ativos, em outras redes sociais, o trio falou sobre as acusações. "Estou muito envergonhado. Peço desculpas pelas barbaridades que disse", postou Matera no Instagram. "Hoje preciso assumir o que disse há nove anos. Peço deculpas também para minha equipe e família."

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