Início Esportes Análise: derrota tricolor em Saquarema é compreensível, mas o futuro é desafiador
Esportes

Análise: derrota tricolor em Saquarema é compreensível, mas o futuro é desafiador

Envie
Envie

Dos 15 jogadores que o Fluminense colocou em campo no jogo com o Boavista, 13 tinham 23 anos ou menos. Quatro jovens atuaram pela primeira vez num jogo de profissionais, outros sete haviam chegado, no fim de semana, da viagem aos Estados Unidos. Fazia calor em Saquarema, num jogo iniciado às 16h30m em pleno horário de verão. Não faltavam motivos para o Fluminense ter dificuldades em sua estreia no Estadual. Neste sentido, os 3 a 1 impostos pelo Boavista dizem pouco. As questões que cercam o tricolor vão além.

Com pouco dinheiro, tendo priorizado os jogos na Flórida, experimentando garotos na rodada inicial do Carioca, a questão é saber de que forma estes jovens que jogaram em Saquarema serão usados na temporada. Em que condições. Se encontrarão um time estruturado para recebê-los de forma pouco traumática. Sábado, um Fluminense mais composto enfrentará o Botafogo. Ainda será um time pouco treinado, mas talvez comece a oferecer alguns sinais do que será o ano de um clube que colecionou perdas. A falta de dinheiro exige erro zero na gestão. E algumas saídas de jogadores deixaram a sensação de que podiam ter rendido algo mais em troca.

Ontem, era difícil exigir tanto coletiva e fisicamente do Fluminense. Restou a observação individual. Houve bons momentos do meia Caio, de 19 anos, apesar da expulsão no fim do jogo, quando a partida já estava decidida a favor do Boavista. Ayrton, na lateral esquerda, teve atuação segura. Pela direita, a improvisação de Dudu, de 18 anos, rendeu problemas crônicos de marcação. Atacante de origem, ia melhor com a bola do que na recomposição.

abel vê pontos positivos

Em seu setor, Júlio César achou Leandrão para o primeiro gol do Boavista. No segundo tempo, Erick Flores se antecipou a Dudu para fazer o gol do 2 a 1. Mas é injusto fazer do jovem um personagem.

O Fluminense teve algum equilíbrio na primeira etapa, conseguia reter a bola e ensaiava criar jogadas. No ataque, Pedro mostrou presença ao finalizar a bola que, no rebote, resultou no gol de Caio. Ao lado dele, Robinho teve desempenho acima de Romarinho.

As mudanças no segundo tempo, com as entradas de três jogadores com idades entre 18 e 19 anos, ampliou a juventude, mas também a falta de senso coletivo tricolor. O terceiro gol do Boavista, marcado de pênalti, já exibia um Fluminense exposto demais.

A tarefa é fazer da equipe principal um time coeso, porque necessariamente jogadores como Ayrton, Marlon Freitas, Luiz Fernando, Robinho, Pedro e outros jovens que estrearam ontem, podem termminar por socorrer o clube ao longo do ano. Será melhor se não o fizerem com a urgência de resolver problemas, apagar incêndios, atuar num time envolto na crise. E o Fluminense começa 2018 sob forte pressão. O peso das saídas inquieta a arquibancada.

— Fizemos um primeiro tempo legal, com mais oportunidades. Mas erramos em dois lances cruciais. Mais positivo foi o menino Caio e a confirmação de que Ayrton é um grande lateral — disse o técnico Abel Braga.

Contra o Botafogo, os jogadores que foram titulares nas partidas contra PSV e Barcelona de Guayaquil, no Torneio da Flórida, estarão relacionados. Será uma chance de ver, em uma competição oficial, o Fluminense que, hoje, está na cabeça de Abel para a temporada de 2018. Mas é o jovem Caio quem parece mais ter agradado Abel. Em especial por preencher uma lacuna: a de Wendell.

— Conto com todo mundo contra o Botafogo. Pena que não vou ter o Caio. Ele é mais ou menos da posição do Wendel. Embora jogue mais na chegada de trás, aparece muito bem. Fiquei imensamente satisfeito.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?