Natural que na semana de Manchester United x Manchester City, a cidade do noroeste da Inglaterra tenha respirado o clássico que vai opor, hoje, líder e vice-líder da Premier League. Mas não é só o jogo que atrai atenção de gente de toda a parte do mundo. Bem no coração de um dos maiores centros urbanos do país, a paixão pelo futebol move muitos turistas na direção de Pelé.
— Ele é um ícone do futebol. Pela história, pela herança que deixou no futebol, na cultura, por sua atitude e personalidade. Um grande ídolo mundial — disse o chinês Johnny Xu, de 42 anos.
Xu é um exemplo de que o simbolismo do maior jogador da História resiste ao tempo e ultrapassa fronteiras. Pelé é atração de uma exposição no National Football Museum que lança um olhar único sobre a trajetória do Rei: tenta contar ao visitante como a dimensão que o personagem adquiriu ao longo da carreira influenciou as artes. E, também, como Pelé se aventurou no mundo delas.
Enquanto percorre o terceiro andar do museu, todo ele dedicado ao Atleta do Século, é possível ouvir Pelé cantando em parceria com Elis Regina, assistir ao clipe que gravou para a Rio-2016 ou a cenas de filmes como “Fuga para Vitória”, em que contracena com Sylvester Stallone e Michael Caine, ou “Os Trombadinhas”, filme policial brasileiro de 1979 que mostra o mocinho Pelé em cenas de ação, com direito a perseguição a bandidos, tiroteio e lutas.
A exposição “Pelé, Art, Life, Football” passeia por pinturas e esculturas dedicadas ao ex-jogador, tema de trabalhos nos mais diversos países: do pintor britânico Stuard McAlpine Miller e do espanhol Pedro Paricio ou uma tela do colombiano Santiago Montoya, que esculpiu um número 10 a partir de cédulas antigas de cruzeiros.
Há, ainda, um retrato de Pelé, parte de uma coleção assinada pelo artista plástico e cineasta americano Andy Warhol, dedicada a atletas. Pelé e Warhol se tornaram amigos nos tempos em que o Rei atuou pelo Cosmos, de Nova York, nos anos 1970. Ao fim da visita, uma cabine exibe um vídeo com os feitos esportivos do ex-craque. Claro, com destaque para suas participações em Copas do Mundo.
Um Fã de apenas 11 anos
Promovida pela galeria Halcyon, a exposição tem outras curiosidades. Uma delas é um papel escrito à mão, com o timbre de um hotel na Bélgica, e assinado por Pelé. Nele, o jogador faz sua “última proposta” antes da assinatura do contrato com o Cosmos. Sinal dos tempos, pede US$ 2 milhões (cerca de R$ 6,6 milhões) líquidos por dois anos de contrato, além de US$ 6 mil (cerca de R$ 19,7 mil) por mês durante a temporada. Apenas como efeito de comparação, a imprensa espanhola informa que Messi receberá, apenas como luvas pela assinatura de seu novo contrato com o Barcelona, válido por cinco anos, algo próximo de R$ 380 milhões. Além de um salário de R$ 190 milhões anuais.
Outros tempos, outros números, outro futebol. No entanto, a história do mito resiste ao tempo e, contada de geração em geração, atraiu o menino inglês Tyler, de 11 anos, nascido 29 anos após Pelé disputar seu último jogo pelo Cosmos.
— Sei que Pelé foi um grande jogador, um dos maiores de todos os tempos, que fez o Brasil ganhar títulos — disse o jovem, que fez a mãe, Frazana, levá-lo ao museu. Ela, ao contrário do filho, admitiu “nunca ter ouvido falar” de Pelé.

