Início Espaço Crítico Votar não termina na urna
Espaço Crítico

Votar não termina na urna

Espaço Crítico
Por Flávio Lauria
24/09/2024 21h26 — em Espaço Crítico

Meus caríssimos leitores: sou um pobre escriba, que semanalmente escrevo para que vocês me leiam. Repito o que digo invariavelmente em mais de mil oito centos e trinta artigos... Populismo é coisa aproveitada pela elite do nosso Brasil! Eu não peço voto para ninguém, mesmo tendo minhas preferências, mas acho que já chegamos ao limite. A corrupção e a ignorância são a fonte de todos os males da sociedade. Por sermos seres sociais e pessoas distintas umas das outras, é a estrutura política o único instrumento que assegura o desenvolvimento individual. Reconhecendo a importância da política e, portanto, conscientes de nosso papel na atual fase da democracia brasileira, estamos também perplexos, o que significa, ao mesmo tempo, irresolutos e tomados de espanto. 

Na verdade, ficamos condenados a escolher, nas próximas eleições daqui a onze dias, por indicação dos partidos, representantes no Legislativo e no Executivo Municipal, em um contexto extremamente desfavorável, de profunda desconfiança, muito justificada pelos fatos de todos conhecidos. O certo é que, mesmo nessa situação desfavorável, a omissão em nada ajudará a caminhada para o futuro. O voto deve ser dado com aquele cuidado do cirurgião que, mesmo sob o risco de o paciente morrer, faz a intervenção com a frieza do especialista. 

As opções serão poucas, terão que resvalar entre o ruim e o péssimo com brigas de moleque, sem um norte moral. O gesto do voto não terminará na urna, mas se prolongará na fiscalização coletiva da ação dos políticos nos poderes Legislativo e Executivo, ao longo de seus mandatos. Seria também altamente desejável que ajudássemos na renovação de nomes, queimando aqueles que se mostraram indignos de seus mandatos e que já estão elencados na memória popular. Não percamos de vista que muitos anos se escoarão até que consigamos chegar a uma reforma político-partidária minimamente democrática, sempre fruto do exercício continuado do voto e das pressões populares sobre governos e Parlamento, já que não cabe hoje em dia pensar em revoluções redentoras. 

O maior problema é que os escândalos estão a esgarçar a consciência ética da sociedade. Á luz do bendito populismo, são prometidos vale gás, bolsas e mais bolsas e muitas quinquilharias sociais, no sentido de anestesiar o povo. Só que por aqui é acintosa a subordinação do discurso da moralidade à lógica de conquista ou preservação do poder. Esta a razão pela qual já não basta denunciar escândalos político-administrativos. Sem que se diminua a vulnerabilidade institucional, a mamata continuará livre, leve e solta. Tratar a roubalheira como uma questão política, e não institucional, é desviar a atenção do sol para os planetas. A corrupção não é desencadeada por perversidade ideológica, mas por falhas institucionais que permitem ilicitudes em cadeia. Estamos cansados.

Espaço Crítico

Espaço Crítico

Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?