Espaço Crítico

Que é democracia

Espaço Crítico
Por Flávio Lauria
30/10/2023 21h39 — em Espaço Crítico

Durante muito tempo o silêncio foi o maior companheiro do povo. Um povo que não podia se expressar. Só podia sentir. E o que era sentido era uma grande frustração por ser apenas um observador da própria história. Mas isso é passado. Conquistamos a nossa liberdade, a nossa voz. Agora podemos participar, agir, falar. Agora é democracia. Vivemos pluma época de contrastes.

A globalização e o desenvolvimento tecnológico asseguram liberdade e homogeneidade a diferentes povos e nacionalidades distintas, possibilitando um rico e dinâmico intercâmbio cultural e intelectual. Simultaneamente, esse mesmo aparato técnico-científico atua como um instrumento de isolamento e segregação, ao passo que acaba por marginalizar as culturas mais frágeis e mais primitivas. Diante dessa conjuntura, observa-se um impasse entre a criação de uma cultura global e a preservação das diversas identidades locais e regionais. Em suma, o que ocorre é um conflito entre um mundo globalizado e único e a individualidade de cada um enquanto ser humano.

É preciso visualizar um mecanismo político capaz de assegurar o contínuo avanço da moderna sociedade e garantir as vontades e liberdades individuais de cada um de seus integrantes. É aí que entra a questão da democracia. Atualmente, utiliza-se bastante este termo para designar governo do povo, onde há liberdade, a igualdade e o respeito a cada indivíduo imperam. Entretanto, na prática, não é bem isso que acontece. O aumento das discrepâncias sociais e o benefício das elites em detrimento das classes menos favorecidas é algo notável mesmo nos governos ditos democratas. Mediante esse contexto, como é possível falar em democracia como instrumento de melhoria social e de respeito às peculiaridades de cada cidadão, especialmente nós brasileiros que vivemos em um país dito democrata, todavia extremamente injusto e desigual.

Com certeza a construção de um contexto de um mundo mais igual e fraterno só será possível através da consciência individual, na busca por valores de cidadania e de justiça social. Até agora nenhuma sociedade alcançou a democracia sendo fiel a todos os seus princípios e valores até mesmo na Grécia Antiga onde esse sistema surgiu, boa parte da população era excluída das relações sociais, através da escravidão, da marginalização e da exploração do trabalho. Ainda hoje isso acontece. Não existem mais escravos, contudo, as pessoas vivem muito em função de seu trabalho e levam uma vida material, esquecendo as questões sociais e outros aspectos essenciais à existência humana. Na verdade, quanto mais o homem avança em termos de tecnologia e ciência, menos utiliza valores de solidariedade, igualdade, fraternidade e justiça. E é por esse motivo que o Mundo está um caos.

A violência urbana, o desrespeito às individualidades, a miséria e a pobreza são frutos de um sistema elitista e autoritário. Só será possível falar em democracia no dia em que cada cidadão seja respeitado e valorizado na sua condição de ser humano porque ser democrata não é apenas diminuir as desigualdades sociais. É muito mais do que isso.

Ser democrata é fazer o bem e praticar o bem. É acreditar que os problemas sociais podem ser minimizados ou resolvidos. É lutar por uma conjuntura mais digna e sensata. É se sensibilizar com uma criança abandonada e tomar algumas atitudes, ao invés de permanecer inerte. É se preocupar com a política do seu país e querer participar dela. Ir às ruas reivindicar direitos e o cumprimento das obrigações governamentais. É saber que se cada indivíduo se acomodar e achar que não pode modificar a conjuntura atual, o mundo estará partido. É acima de tudo acreditar que cada ser humano é único e que a individualidade e as particularidades de cada um são essenciais à criação de um contexto mais abrangente, capaz de respeitar e valorizar cada cidadão. As guerras, os conflitos internos dentro do Judiciário, Executivo e Legislativo, nos Tribunais de Contas, no Superior Tribunal de Justiça, mostra que fala-se em democracia da boca pra fora, sem esquecer que democracia também é, aceitar divergências mas não guerrear.

Espaço Crítico

Espaço Crítico

Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?