Desde sexta, começou o horário político no rádio e na televisão. O eleitor sabe que os políticos que querem se aboletar nos mandatos de quatro anos, para o Senado oito anos, querem aproveitar a "boquinha", e vão prometer mundos e fundos sem a mínima intenção de cumprir, vão mentir pra caramba, vão reivindicar para si inúmeras "realizações", vão mostrar uma baita ficha limpa que não existe e esconderão a sete chaves a enorme ficha suja, essa sim de verdade, vão tentar convencer de que são a obra-prima da natureza. Mas ele, o eleitor, vai fazer valer o seu direito de escolha e seleção e quando chegar o dia da eleição, não votará em nenhum deles.
Se não houver nenhum candidato que mereça o seu volto, votará nulo. Isso me fez lembrar, também, que na semana passada, passei por duas senhoras que conversavam sobre a eleição."
Pois não é tudo uma cambada de corrupto? E a gente tem que votar neles!", diziam elas. Eu não as conhecia, mas não me contive e postei-me ao lado delas, me metendo na conversa: as senhoras não são obrigadas a votar em ninguém.
Se sabemos que os candidatos disponíveis não são bons, não são o que queremos para representar-nos, então não devemos votar neles. Se não houver ninguém em quem possamos votar, a única saída é anular o voto, pois só assim ele não vai valer pra ninguém e servirá de protesto para saberem que não estamos satisfeitos com o que está aí.
Não existe aquela história de que precisamos voltar em alguém de qualquer jeito, para não "desperdiçar" o voto.
Desperdiçar é votar em quem não merece. E vejam, não estou pregando aqui o voto em branco ou nulo. Elas olharam pra mim, balançaram a cabeça e concordaram. E eu segui o meu caminho, de alma lavada. As pessoas, todas, deveriam saber como funciona o sistema eleitoral. Mas não é interessante para os políticos, não é? Por outro lado, terminou o prazo para o eleitor que não estará no seu domicílio eleitoral, no dia da eleição, mas sim em uma capital, votar em trânsito.
Este ano seria um teste para ver o que teria que ser aperfeiçoada em pleitos seguintes, como de 2018 e 2022. Para se cadastrar, o eleitor precisou apresentar o título de eleitor e um documento com foto. Mais de cem mil pessoas se cadastraram, segundo o TSE, o que significa que os candidatos a presidente do país terão essa quantidade de votos a mais nestas eleições.
Estamos assistindo, mais uma vez, ao desrespeito das leis por quem deveria dar o exemplo. Nós, que vamos votar, precisamos pesar os abusos e incoerências, conhecer bem as fichas de cada um dos candidatos e saber se podemos votar ou não.
O futuro do país é o nosso futuro. Precisamos ter consciência disso e sermos honestos, antes de tudo, conosco mesmo. E não esquecer, também, que se o Brasil continuar neste ritmo, com a saúde falida, com a educação cada vez pior e a segurança cada vez mais inexistente, com cada vez mais corrupção, que futuro terão nossos filhos e netos?
Precisamos fazer escolhas. E fazê-las direito. Ou o futuro de todos estará comprometido.
Flávio Lauria
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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