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Protestos marcam reunião do Conselho Nacional de Educação que discute base curricular

BRASÍLIA — A reunião do Conselho Nacional de Educação (CNE) que discutirá a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) começou com protestos de manifestantes ligados ao Sindicato dos Professores de São Paulo, filiado à CUT, e outros grupos. Gritos de "golpistas" e "Fora Temer" foram pronunciados. A sessão chegou a ser suspensa por cinco minutos, mas os conselheiros resolveram prosseguir com a reunião sem a retirada dos manifestantes.

— Golpistas — gritaram antes da suspensão da reunião, dizendo ainda “Não nos representam”, “Fora Temer”, “Racistas, machistas”.

Os manifestantes viraram de costas e continuaram gritando. Enquanto a reunião estava suspensa, novos gritos:

— Essa versão não foi discutida. É ilegítima.

— Chama a polícia para vocês mesmos, golpistas.

— Vem falar aqui em cima, seu safado.

— Nós vamos descer aí hein. Se não ficar quieto, vamos descer aí.

Depois que a reunião foi retomada, os gritos continuaram.

— Alexandre Frota fez a revisão do documento — disse um dos manifestantes em referência ao ator que já teve um encontro com o ministro da Educação, Mendonça Filho.

— Não vão nos calar. Essa BNCC é ditadura militar — gritaram.

As alterações no texto da última versão da BNCC do ensino infantil e fundamental feitas pelo Ministério da Educação (MEC), que suprimiu trechos sobre questões de gênero e sexualidade, ainda dividem o CNE, que analisa o documento antes de chancelar a última versão para a homologação pelo ministro da Educação, Mendonça Filho.

Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, membros do conselho reunidos em Brasília desde segunda-feira já elaboraram cerca de 200 emendas modificando o texto enviado pelo MEC. O impasse preocupa educadores, que temem que a discussão sobre detalhes do texto ofusque a qualidade do documento como um todo e trave a aprovação da Base, que, segundo eles, precisa ocorrer ainda este ano. O MEC também tem pressa.

Entre a emendas em discussão na comissão do CNE dedicada à Base, há propostas para desconsiderar as mudanças sugeridas pelo MEC e também para tratar o tema de forma mais específica. No entanto, os conselheiros ainda não haviam chegado a um consenso até o fim da tarde de ontem, na véspera da votação do texto no pleno do CNE, prevista para hoje. O documento servirá para nortear os currículos de todas as escolas do país. Hoje, instituições públicas e privadas seguem apenas diretrizes do CNE.

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