RIO - Um grupo hostilizou a principal palestrante da conferência de encerramento do evento "100 anos de Revolução Bolchevique: História e Memória", na última quarta-feira, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). A professora Maria Teresa Toríbio Brittes Lemos, titular da instituição, participava da cerimônia e tinha como função explicar o impacto do evento soviético na América Latina.
Após a sua fala, as perguntas da plateia foram abertas e ao ser questionada sobre a relação de movimentos sociais inspirados pelo regime da URSS e o crescimento de oposições que culminariam na ditadura militar brasileira, a professora foi interrompida por um membro do público.
- Quando eu mencionei a palavra ditadura, um rapaz que filmou toda minha fala se levantou e falou que eu era comunista, marxista e que nunca houve ditadura no Brasil. Pedi para ele se acalmar, que aquele espaço era democrático e que ele tinha direito de falar e até que gostaria de entender como ele achava que não tivesse ocorrido ditadura - conta a professora Maria Teresa.
A reação do rapaz, segundo a professora e depoimento de outros presentes, foi de mais revolta. Afirmou que "não queria falar nada" e novamente voltou a afirmar que a professora era comunista e que era "uma vergonha para a Uerj".
- Filmavam e falavam que iam mandar para o comandante do Exército. Obviamente não são do Exército, eles não atuam desta maneira - destacou a docente.
O rapaz não estava sozinho e outras pessoas do grupo passaram a também se manifestar. Neste momento, a segurança foi até o local pedindo para que se acalmassem. Ao continuarem gritando, foram convidados a se retirar sob vaias de "fascistas" dos outros presentes. Para a professora, episódios como este demonstram uma radicalização da sociedade em um momento de crise.
- Os nervos estão à flor da pele. Desde saída, golpe ou impeachment da presidente, com o aumento do desemprego e a falta de pagamento do Estado as notícias andam ruins. Está todo mundo desesperado. Essa insatisfação geral faz com que esses movimentos se aproveitem. E isto não é só com o Brasil, está acontecendo com o mundo inteiro. O clima para radicalização está perigoso - analisa a professora.
A assessoria da Uerj foi procurada para se pronunciar sobre o caso, mas ainda não se pronunciou. O grupo que se manifestou durante o evento também não foi identificado.

