LONDRES — A Universidade Bath Spa, no Reino Unido, rejeitou um projeto de estudo apresentado pelo psicoterapeuta James Caspian, de 58, que pretendia examinar casos de . Segundo o pesquisador, sua proposta foi classificada como “politicamente incorreta”, e ele acusa a instituição de atentar contra os “princípios mais básicos da liberdade de investigação acadêmica e intelectual”.
Em entrevista ao jornal britânico “Independent”, Caspian se disse “surpreso” com a decisão. Com 16 anos de experiência em psicoterapia, o pesquisador apresentou o projeto para o grau de mestrado. Inicialmente, ele recebeu sinal verde para conduzir as pesquisas, mas após apresentar uma alteração no planejamento inicial, para encontrar mais pessoas para o estudo, teve a proposta rejeitada pela instituição.
Na alteração, Caspian se propôs a publicar um pedido por voluntários num fórum trans on-line e pediu a inclusão de uma mulher que transicionou para homem, mas destransicionou para viver como mulher sem reverter a cirurgia. Ambos os pedidos foram negados.
“Participar de uma pesquisa potencialmente ‘politicamente incorreta’ traz um risco para a universidade”, escreveu o subcomitê de ética da Bath Spa, na carta de rejeição. “Ataques nas redes sociais podem não se limitar ao pesquisador, mas envolver a universidade. A publicação de material desagradável em blogs ou redes sociais pode ser prejudicial à reputação da universidade ”.
— A razão fundamental dada por eles foi que isso poderia causar críticas às pesquisas, e que essas críticas à pesquisa seriam críticas à Universidade. E eles acrescentaram que era melhor não ofender as pessoas — disse Caspian. — Fiquei surpreso com essa decisão. Eu acredito que a universidade existe para encorajar a discussão, a pesquisa, até mesmo a dissidência, desafiando ideias que estão desatualizadas ou não são particularmente úteis.
O pesquisador argumenta que tal estudo é necessário por causa do número crescente de pessoas que se arrependem da cirurgia de redesignação sexual, e acrescenta que algumas estão “traumatizadas”. O projeto foi influenciado por uma conversa com um médico do Centro Belgrade para Cirurgia de Reconstrução Genital, que informou ter realizado sete cirurgias de reversão apenas em 2014, algo que não era comum em anos anteriores.
— Todo o campo mudou completamente ao longo dos últimos poucos anos e a ideia de que podemos usar a informação da pesquisa que faremos de uma forma que não ajudará as pessoas é completamente errada — disse Caspien.
A Universidade Bath Spa ainda não se pronunciou, informando apenas que o caso está sendo investigado internamente.

