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Sobre o "negócio" na casa de Amazonino

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A oposição é importante numa democracia. Ajuda fiscalizando e criticando. É uma ponte entre a sociedade e o governo real, porque revela claramente ações e intenções dos que detêm momentaneamente o poder.  Mas há uma tênue fronteira entre criticar e acusar. Esse limite é quase sempre  rompido por lampejos de leviandade que não se sustentam sequer pela palavra empenhada. 

O vereador Joaquim Lucena(PSB) utilizou o microblog Twitter para dizer,  claramente, que uma reunião na casa do prefeito Amazonino Mendes servira para um  "acordo" com a multinacional Nestlé num contrato milionário para o "Programa Leite da Criança" - R$ 23 milhões - dos quais 10% já teriam destino certo.

O vereador  deixou subentendido que havia uma negociata da qual o prefeito participou, segundo ele, diretamente. E que faria a denúncia da tribuna da Câmara, onde também apontaria o nome de um vereador, supostamente envolvido no "negócio" escuso.

E o que disse o vereador, contrariando expectativa de seus eleitores, dos cidadãos que leram suas declarações, da sociedade que aposta numa oposição séria, isenta e corajosa ? Disse que não tinha certeza de nada, que  talvez algo  estivesse errado no contrato da prefeitura de Manaus com a Nestlé, e  ameaçou acionar o Ministério Público, que aliás é o caminho adequado para uma investigação isenta, capaz de apontar equivocos ou desvios.

Lucena, com seu pronunciamento vazio, desconcertou a todos, especialmente seus eleitores.

Ninguém aposta no caos, nem desconfia que todos os negócios envolvendo os governos são escusos, mas a sociedade quer uma oposição atenta, incapaz de escorregões ou  erros de avaliação. A oposição, mais do que os governos, não tem o direito de errar ou tergiversar.

Lucena tergiversou. Pode não ter errado na sua "suposição".  Mas dar tiro a esmo é contribuir para desacreditar  a oposição e fortalecer os que supostamente fazem "negócios" não republicanos em gabinetes refrigerados ou mesmo na intimidade de suas casas.  

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