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Paixão e fogo

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A revelação de que o incêndio que destruiu 30 casas na Matinha, quinta-feira, foi provocado por uma mulher furiosa com o marido, ao descobrir que era traída, levou a polícia a mudar o rumo da investigação. A versão inicial de que o fogo foi provocado por um curto-circuito cedeu lugar a uma ação supostamente planejada e criminosa, que afetou centenas de pessoas.

Na Matinha de terra molhada, onde o crime se oculta em estreitas passarelas de madeira, mulher e homem não se conciliam na infidelidade, como na cidade de pedra da Zona Sul, ou nos condomínios de luxo da Ponta Negra. Lá, mulher e homem que pulam o muro rompem relações, muitas vezes se matam. O incêndio da paixão ganha forma num riscar de fósforo que afeta toda a comunidade.

Na Matinha que é a  nossa  "Rocinha"  mulher que trai é prostituta e homem que é traído leva chifre. É a forma de uma gente simples traduzir um sentimento que afinal está na alma de quem se apaixona, se julga dono do outro, seja nos arranha-céus da Ponta Negra, seja lá mesmo, nas modestas casinhas de madeira fincadas na molhada Matinha.

Só que  desta vez esse fogo não afetou  apenas quem perdeu a casa. Afetou toda a sociedade, chamada a pagar a conta.

 

Raimundo Holanda

 

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