RIO - A operação Zelotes fechou seu primeiro acordo de delação premiada na Justiça, segundo antecipou A coluna informa que o ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) Paulo Roberto Cortez entregou os ilícitos praticados e o acordo já foi homologado pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal.
Foi Cortez quem provocou a Operação Zelotes ao mandar um envelope pardo com um dossiê para a Polícia Federal contando o esquema. Ele foi denunciado por corrupção e tráfico de influência e assumiu o compromisso de fornecer informações e documentos referentes a seis casos investigados. Além de fornecer informações sobre os três processos aos quais ele responde na esfera judicial, entre eles, o que investiga o favorecimento ao BankBoston, Cortez será colaborador em outros três casos.
Em contrapartida, terá a pena limitada à prestação de serviços à comunidade durante um ano, em caso de condenação nos processos referentes aos anexos que compõem o acordo. Nesse acordo, ficou estabelecido que não haverá punição de crimes contra o sistema financeiro nacional, contra a Administração, lavagem de dinheiro, de organização criminosa e outros.
“O teor das informações fornecidas pelo colaborador permanece em sigilo, até que sejam incluídos em ações penais que sejam recebidas pela Justiça”, disse o Ministério Público Federal em nota divulgada nesta sexta-feira.
Cortez é auditor aposentado da Receita Federal. Foi conselheiro do Carf entre 1992 e 2009, por indicação do Ministério da Fazenda.
Segundo informação do Bom Dia Brasil, a delação traz denúncias que envolvem o BankBoston, comprado pelo banco Itaú em 2006. , mas só agora, dois anos depois, o acordo foi homologado pela Justiça.
De acordo com o Bom Dia Brasil, a TV Globo teve acesso com exclusividade a depoimentos da delação, que confirmam a investigação feita pela Política Federal sobre compra de votos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) — o tribunal administrativo da Receita Federal, que permite que empresas recorram de multas aplicadas. Na hora da revisão dos casos no Carf, as multas podem ser reduzidas ou canceladas.

