PEQUIM — Sexta-feira foi dia de ensaio geral em Xiamen depois do expediente. A prefeitura convocou os cidadãos para uma nova simulação de como funcionará a vida da cidade durante os três dias em que sediará a 19ª Cúpula do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Ruas e avenidas foram fechadas, conforme o previsto para os dias do encontro dos líderes dos cinco países, enquanto os carros das delegações testavam o tempo dos trajetos que farão. Mudou-se até o sistema de coleta de lixo. Milhares de voluntários — a China dispõe de um verdadeiro exército deles — trabalham nos preparativos há mais de um ano.
Vários foram espalhados pelos sinais de trânsito e cruzamentos para garantir que motoristas, ciclistas e pedestres respeitem as regras de tráfego. Eles são identificados à distância pelas braçadeiras vermelhas que carregam. Responsável por um dos grupos que supervisionam a triagem e reciclagem do lixo em um dos bairros da cidade, Ke Xiuqing faz trabalhos voluntários desde 2004, quando entrou para a Cruz Vermelha. Ela também ensina regras de etiqueta para para locais em pontos turísticos. Desde 2013, faz parte da Associação de Voluntários de Xiamen, mas a que pertence ao distrito de Sining. Há outras. Só esta entidade, maior da cidade, conta com a boa vontade de seis mil pessoas. A maioria não recebe nada pelo trabalho, à exceção das estrelas. Existe um sistema nacional de pontuação para o trabalho dos voluntários. Xiuqing contribuiu com mil horas de trabalho. Ela garante que está perto de receber a terceira (1.500 horas).
— Trabalho pelo menos dez horas por semana. Quero contribuir para a sociedade. Já fazia isso quando trabalhava no hospital. Sou budista. O que estou fazendo agora vai acumular sorte para meus filhos e netos — disse a aposentada que carrega carteirinha com a anotação das atividades e horas de trabalho voluntário.
Com quase 65 anos, só agora resolveu entrar para o Partido Comunista. Disse que não o fez antes porque não terminou o colégio, depois se casou e teve filhos muitos jovem e não tinha tempo. Além de disseminar regras de comportamento aos cidadãos que vão receber os integrantes dos Brics nos próximos dias, ela está encarregada de recrutar novos voluntários. Até hoje visita famílias mais pobres e aconselha detentos condenados à prisão.
Sorridente, ela agradeceu a entrevista. Diz que não trabalhava para ser famosa, mas que, recentemente, começou a receber vários jornalistas.
As autoridades locais não querem nada fora do lugar. Durante meses, gruas e tratores eram vistos trabalhando na cidade sem cessar. A segurança foi redobrada, e algumas lojas e restaurantes, fechados. Durante o evento, os hotéis não poderão receber outros turistas até segunda ordem. Nem as casas particulares que alugam quartos têm permissão para funcionar.

