Volume de estrangeiros na Bolsa atinge quase R$ 30 bilhões

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

29/11/2020 20h06 — em Economia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O volume de estrangeiros na Bolsa atingiu R$ 29,996 bilhões em novembro até a última quinta-feira (25), recorde mensal.

Com o real depreciado e a avaliação de que as ações ainda estão longe do preço máximo, o Brasil se mostra como uma boa oportunidade de investimento, mas ainda existem muitos riscos aos olhos do estrangeiro.

"A Bolsa em dólar está barata e, se o Brasil vai bem e o real aprecia, também vale a compra, mas vejo que se trata de um posicionamento e não de um retorno dos estrangeiros às compras", afirmou o professor do Insper Roberto Dumas Damas à Folha, em meados de novembro.

Até sexta-feira (27), o dólar acumulava queda de 1,13% na semana e de 7,2% no mês. Nesta sexta, recuou 0,18%, a R$ 5,3270. O turismo está a R$ 5,477.

O Ibovespa, por sua vez, teve alta de 4,27% na semana e, com alta acumulada de 17,7% em novembro, caminha para fechar o mês como o melhor desde outubro de 2002. Já no ano a queda é de 4,4%.

Em evento promovido pela B3 e pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) na última semana, especialistas afirmaram que o mercado de capitais brasileiro tem passado por um processo de transformação --tanto em relação ao número de investidores quanto em relação à chegada de novas empresas na Bolsa.

Especialistas já haviam afirmado à Folha, no entanto, que ainda é cedo para dizer se os estrangeiros voltaram para ficar e se devem ampliar os investimentos por aqui.

Até este sábado (28), 39 empresas tinham seus processos para abertura de capital (IPO) em análise na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A última a submeter seu pedido à comissão foi a Intelbras.

Fundada em 1976, a companhia de Santa Catarina produz e comercializa produtos e soluções em segurança eletrônica, controles de acesso, redes, comunicação, energia e energia solar.

Segundo o prospecto preliminar, a Intelbras pretende utilizar os recursos da oferta para acelerar seu crescimento através de aquisições, além de expandir capacidade de produção de fábricas em Manaus e Minas Gerais, bem como em sua nova unidade em Santa Catarina, focada em produtos de energia.

Nos primeiros nove meses deste ano, a receita operacional líquida da companhia totalizou R$ 1,46 bilhão, representando um aumento de 20,2% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido foi de R$ 121,2 milhões no período, alta de 2,6% em relação à mesma etapa de 2019.

A unidade de segurança eletrônica da companhia representa cerca de 53% da receita total, com R$ 777 milhões no acumulado do ano. A divisão de comunicação foi responsável por 37% da receita, enquanto a de energia gerou 9,7% do faturamento.

"Desde maio houve uma aceleração [no número de pedidos de IPOs] bem impressionante, a ponto de indicar este como um dos melhores anos em número e volume de abertura de capitais e ofertas aqui no Brasil", afirma o vice-presidente do fórum de estruturação de mercado de capitais da Anbima, Sérgio Goldstein.

Até novembro, foram 25 estreias na B3, contra cinco operações em todo ano de 2019. Esses IPOs movimentaram quase R$ 32 bilhões, volume 220% superior ao do observado no ano passado.

Segundo o sócio-fundador da Apex Capital, Paulo Weickert, apesar de a Bolsa ter atingido recordes no número de CPFs, ainda é um número baixo quando comparado a outros países.

Para ele, a taxa básica de juros em mínimas históricas é o grande impulsionador do mercado e, caso se mantenha em um dígito durante um bom tempo, ajudará para o crescimento do mercado de capitais e da Bolsa, com novas companhias sendo listadas.

"Temos muitas companhias grandes que ainda são privadas e não listadas na Bolsa. Faz parte dessa evolução natural que a redução nas taxas de juros proporcione a chegada de companhias menores ao mercado. Mas é preciso que as pessoas físicas comprem ofertas, porque não serão os institucionais que farão essas compras. É uma questão de tempo", disse Weickert.

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