BRASÍLIA — Um dos vice-presidentes afastados da Caixa Econômica Federal diz que foi confundido com outra pessoa nas investigações de desvios na instituição. José Henrique Marques Cruz, responsável pela vice-presidência de Redes, alega não ser o “Henrique” das mensagens trocadas entre os investigados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Em entrevista ao GLOBO, ele conta que a auditoria interna constatou que não haveria recomendações contra ele. Mesmo assim, os procuradores do caso recomendaram seu afastamento.
Contrariamente ao que diz o MPF na representação, José Henrique Marques Cruz afirma nunca ter tido contato com o ex-deputado Eduardo Cunha ou com o operador Lúcio Funaro. Já em relação ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, ele fala que teve apenas tinha uma relação institucional com ele. O executivo mandou as repostas aos questionamentos do jornal por e-mail.
Em primeiro lugar, gostaria de registrar que nunca tive nenhum tipo de contato com Eduardo Cunha ou Lúcio Funaro e minha relação com Geddel era estritamente profissional, considerando que o mesmo também era vice-presidente da Caixa à época.
Trata-se de um título de crédito assinado pelo devedor, por se tratar de garantia à operação de crédito realizada pelo banco, não contendo, portanto, assinatura do credor, ou seja, não há nenhuma possibilidade de ter a minha assinatura ou de nenhum representante do banco em documento dessa natureza, pois é um documento assinado exclusivamente pelo tomador do empréstimo. Este fato está claramente explicitado no relatório da investigação independente, que concluiu em seu item 1059 que “Entendemos que não há recomendações em relação a José Henrique Marques da Cruz neste momento.”.
Acho importante reforçar também o que tenho dito a respeito do meu nome ter sido confundido com outro Henrique nas mensagens trocadas entre os investigados, sendo que a investigação independente concluiu no seu item 17, página 16, que “José Henrique Marques da Cruz apresentou esclarecimentos verossímeis a respeito da troca de mensagens entre Fábio Cleto e Eduardo Cunha ou Lúcio Funaro envolvendo o nome Henrique”.
Exerço o cargo de vice-presidente da Caixa há quase sete anos, nomeado e convidado a ser mantido no cargo por três presidentes distintos neste período, exatamente pelo meu conhecimento e perfil estritamente técnico, em função do meu histórico curricular e funcional de mais de 28 anos na instituição, exercendo vários cargos por processo seletivo interno, sendo que não faço e nunca fiz parte de nenhum partido político.
A governança da CAIXA é extremamente rígida e, por exemplo, operações de crédito são definidas sempre de forma colegiada em comitês decisórios, com base em pareceres de setores técnicos no mínimo das áreas de risco, financeira e jurídica, o que elimina possibilidades de atitudes individuais neste nível.

