SÃO PAULO - As vendas da indústria de bens de capital - máquinas e equipamentos - registraram queda de 5,6% no acumulado de 2017, de janeiro a julho, na comparação com o mesmo período do ano passado, o que significa um faturamento de R$ 37,8 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
No mês de julho, o setor registrou alta de 1,7%, frente a julho de 2016, totalizando R$ 5,8 bilhões. Ante junho de 2017, houve recuo de 1,6%, segundo a entidade, principalmente em função da retração das vendas no mercado externo, de 3,4%.
Nas exportações, o crescimento de 4,7% no acumulado do primeiro semestre foi puxado pelos setores de máquinas para agricultura, logística e construção civil, infraestrutura e indústria de base e máquinas para petróleo.
José Veloso Dias, presidente da Abimaq, disse que a redução contínua nos patamares de inflação não trouxe queda real na taxa de juros e engessou, na avaliação dele, a capacidade de investimentos no setor.
- Sim, a Selic diminuiu, mas a diferença entre a Selic e a inflação só aumentou no último ano. Desde que a inflação começou a ceder, cedeu muito mais do que a taxa Selic. Então, é injustificável num momento de alavancagem das empresas, que não conseguem pagar suas obrigações, a gente ter um aumento da taxa de juros no país - observou.
José Veloso Dias, presidente da Abimaq, afirmou que o setor segue num processo de endividamento e que a desalavancagem das empresas ainda está longe do fim.
- Primeiro porque a questão do Refis não caminha na Câmara e no Senado. Aproximadamente 50% da indústria não têm a totalidade dos seus impostos em dia. Isso é uma questão muito importante porque as empresas não têm acesso a financiamento, ao BNDES e não conseguem participar de várias concorrências - resumiu.
O presidente da Abimaq lembrou que o setor já desempregou 91 mil trabalhadores nos últimos quatro anos, segundo ele, um dos efeitos da queda sistemática do chamado consumo aparente.
- 2013 foi o ano que nós tivemos o pico do nosso faturamento, de emprego e tudo mais. De lá pra cá, vem reduzindo, até que chegamos à situação atual de perda de 90 mil empregos. O faturamento hoje é pouco mais da metade do de 2013, mas o que é mais importante é que o consumo aparente de máquinas e equipamentos no Brasil, que é aquilo que dá produtividade pra nossa economia, esse consumo vem caindo - constatou.
Para Dias, falta uma sinalização mais evidente da equipe econômica de que o investimento é considerado uma prioridade. Ele alegou que o ajuste fiscal do governo é um consenso também no setor, mas ressaltou que as medidas de controle das despesas precisam vir acompanhadas de estímulos ao investimento. Entre eles, um patamar baixo e, principalmente, permanente da taxa Selic.
- O governo identifica corretamente que precisa fazer o ajuste fiscal. No entanto, nós discordamos da forma. Precisa ter aumento de receita e não houve nenhuma atitude até agora. Desde 2016 nós estamos salientando que o Brasil precisa ter a volta da arrecadação, mas (precisa ser) por atividade econômica. Todo dia a gente abre o jornal e vê a equipe econômica dizendo que a (taxa) Selic está caindo e vai cair mais. Ora, se eu sou um investidor, por que que eu vou comprar agora? Por que eu vou me comprometer por dez anos se daqui a dois ou três meses esse financiamento pode estar mais barato? Tá todo mundo esperando (baixar mais) - afirmou o presidente da Abimaq.

