BRASÍLIA – Qualquer moedinha vale para tentar amenizar o rombo das contas públicas do país. Literalmente. Para economizar dinheiro público gasto para cunhar as pratinhas, o Banco Central lançou uma campanha para incentivar o brasileiro a colocar as moedas esquecidas em gavetas ou cofrinhos em circulação. A estimativa do governo é que elas, somadas, chegam a R$ 1,4 bilhão.
Somente no ano passado, o Brasil gastou R$ 243 milhões para cunhar moedas. Em alguns casos, o país paga mais para a Casa da Moeda do que o valor de face da pratinha. Com mais moedas em circulação, o BC economiza esses recursos.
— É papel do Banco Central sensibilizar o público quanto à necessidade de promover a recirculação das moedas guardadas, pois o entesouramento, além de contribuir para a dificuldade de troco, motiva a necessidade de produção de novas moedas, cujos custos têm sido crescentes. A recirculação de moedas contribui para a redução do gasto público. Além disso, colocar moedas para circular é bom para o setor real da economia e bom para o meio ambiente. Fabricar menos moedas implica, por exemplo, economia de energia e de minérios — disse o presidente do BC, Ilan Goldfajn.
Ilan apresentou a campanha do BC à imprensa. Mostrou o vídeo que será distribuído pelas redes sociais: uma animação feita com moedinhas tristes esquecidas em gavetas e cofrinhos e que, depois, curtem a vida em circulação.
O presidente também usou uma máquina instalada dentro da autoridade monetária para trocar moedas por notas. Ele colocou R$ 3,90 na máquina. Só não contou se as pratinhas estavam perdidas na gaveta do gabinete ou guardadas na carteira.
Já o diretor de política monetária, Reinaldo Le Graze, colocou mais recursos na máquina: R$ 7,90. Ao ser questionado sobre o fato de ter mais dinheiro que o chefe, ele brincou:
— Ah! Mas com inflação baixa, esse dinheiro vale muito.

