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Valor a ser devolvido pelo BNDES ao governo está sob análise do TCU, diz presidente do Banco

SÃO PAULO — O conselho de administração do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) irá, em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU), avaliar o repasse que o banco terá de fazer ao Tesouro Nacional em 2018, como parte do acordo com o governo para a devolução dos valores subsidiados pela linha de financiamento PSI. Neste ano, o BNDES devolveu R$ 50 bilhões e, segundo estimativas do Ministério da Fazenda, faltam ainda R$ 130 bilhões para retornar aos cofres públicos. O presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, disse, nesta segunda-feira em São Paulo, que este valor ainda será definido, mas R$ 130 bilhões é alto e não está nas provisões da instituição.

— Temos 365 dias para definir a eventual devolução e certamente ela vai acontecer, mas não sabemos em qual proporção. Ainda depende de debates, não só no Conselho de Administração, como também do TCU, que nos ajudará a examinar a justa medida dessa devolução. Nós não podemos ser o Brasil da devolução. Vamos pensar em uma outra coisa que seja a aplicação de recursos em investimentos — disse Rabello, após o encontro na Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER).

Segundo Rabello, o valor definido pelo governo de R$ 130 bilhões é bem maior que os desembolsos deste ano do banco, cerca de R$ 70 bilhões, um valor equivalente ao desempenho da instituição em 2007.

— O BNDES é, indiretamente, financiador do custeio brasileiro. Devolver R$ 130 bilhões não cabe mais. Como podemos repassar quase o dobro dos nossos desembolsos? Isso, não é possível — afirmou o executivo.

O banco, de acordo com Rabello, tem um plano estratégico para os próximos cinco anos. Com isso, os desembolsos em média, será de R$ 120 bilhões de 2018 a 2022.

— O BNDES está mirando um desembolso médio de R$ 120 bilhões em cinco anos. Em 2018, se alcançarmos R$ 100 bilhões estaremos muito satisfeitos, pois, é um crescimento entre 25% a 30%. O nosso objetivo é lançar um olhar mais dedicado às micro, pequenas e médias empresas e devemos anunciar, no primeiro trimestre de 2018, linhas de financiamento mais acessíveis e direta para essas empresas. E elas terão uma participação fundamental no aumento dos desembolsos do banco. Hoje, essas empresas já representam 60% do valor financiado.

Esse plano estratégico, inclusive, disse Rabello, será enviado a todos os candidatos à presidência da República. Ele, que já foi cogitado para ser o candidato do Partido Social Cristão (PSC), afirmou que prefere contribuir com ideias nessa eleição.

— Ninguém pode ficar de fora desse debate e eu sou candidato a fazer o debate acontecer. Justamente porque quero passar a mensagem de que nós não podemos "fulanizar" candidaturas. Pelo contrário, o Brasil tem de buscar ideias e o futuro candidato pode ser brindado com ideias boas que ele ainda não teve. O BNDES vai apresentar o plano de investimento que estamos fazendo para todos os candidatos — ressaltou Rabello.

Segundo ele, o plano do BNDES terá um foco principal nos investimentos em infraestrutura e no setor industrial e será de longo prazo.

— Por que não divulgar para todos os partidos as ideias que o BNDES tem? — questionou o executivo.

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