LONDRES - Giovanni Buttarelli, Supervisor de Proteção de Dados da Europa (EDPS, na sigla em inglês), afirmou que o Facebook precisa garantir que as novas ferramentas para salvaguardar as informações dos usuários apresentadas após o escândalo da Cambridge Analytica sejam feitos na “prática e não apenas no papel”.
A afirmação da principal autoridade de dados da União Europeia foi feita em entrevista à CNBC, na qual ele também criticou as práticas de coleta de dados da rede social.
“Há dias em que você tem a impressão de que as pessoas são tratadas como animais de bateria ou ratos de laboratório. Somos tratados como uma fazenda para dados. Estamos dentro de um jardim murado e cada uma de nossas ações é monitorada”, disse ele ao canal americano.
Esta semana, o Facebook informou que — e não 50 milhões, como foi dito inicialmente —, .
A rede social reconheceu, também esta semana, que .
Segundo a CNBC, a função do EDPS é cuidar para que os dados dos cidadãos sejam tratados de maneira corretas dentro de instituições da UE, e também é parte de um grupo de trabalho formado por autoridades de proteção de dados de vários estados-membros.
Na entrevista, Buttarelli contou que agências de proteção de dados da UE vão se reunir na próxima semana, algumas das quais já têm investigações sobre uso indevido de informações — não apenas ligadas à Cambridge Analytica. Ele disse que provavelmente haverá consequências de longo alcance que poderiam incluir punições para empresas.
“Há uma necessidade de uma mudança de cultura”, acrescentou.
Ele também avaliou que seria “inteligente” da parte de Mark Zuckerberg, diretor executivo do Facebook, aceitar o convite de Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, para testemunhar diante dos eurodeputados e dar garantias de que as informações dos europeus não foram usadas para “manipular a democracia”.



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