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Trump pressiona Powell para reduzir taxas de juros durante visita ao Fed

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou nesta quinta-feira (24) pessoalmente o chefe do Federal Reserve, Jerome Powell, para reduzir as taxas de juros do país durante visita às obras da reforma da sede do banco central americano.

Em entrevista a jornalistas no encontro, as duas autoridades trocaram farpas e discordaram em relação ao custo do projeto. Trump e Powell, usando capacetes brancos de construção, caminharam por um dos canteiros de obras.

Trump tem criticado o presidente do órgão, Jerome Powell, repetidamente por não reduzir a taxa de juros dos EUA de forma agressiva. Trump voltou a chamar Powell de "idiota" na terça-feira, um dia após afirmar que deverá trocar o comando do Fed em oito meses.

O presidente indicou Powell para liderar o banco em seu primeiro mandato, mas desde então tem se arrependido de sua escolha devido a divergências sobre os juros e a economia. Entre os mandatos de Trump, o presidente Joe Biden indicou Powell para um segundo mandato, que vai até 15 de maio de 2026.

Ao mesmo tempo, autoridades da Casa Branca têm acusado o Fed de gerir mal a reforma de dois prédios históricos em Washington, sugerindo supervisão deficiente e possível fraude. O diretor de orçamento da Casa Branca, Russell Vought, estimou o custo excedente em "US$ 700 milhões e contando". A reforma está estimada em US$ 2,5 bilhões e Powell afirmou que a reforma atende medidas de segurança.

As críticas públicas de Trump a Powell e o flerte com a possibilidade de demiti-lo já haviam perturbado os mercados e ameaçado uma das principais bases do sistema financeiro global -o fato de os bancos centrais serem independentes e livres de interferências políticas.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse na quarta-feira que o governo não está com pressa de nomear um novo presidente para substituir Powell. O secretário disse que o governo provavelmente anunciará um sucessor em dezembro ou janeiro.

Normalmente, presidentes dos EUA se abstêm de comentar sobre a política monetária do Fed em deferência à autonomia do banco, mas Trump não tem seguido esse exemplo.

Trump tem dito que gostaria que o Fed cortasse a taxa de juros para até 1% da atual faixa de 4,25% a 4,5% para reduzir os custos de empréstimos do governo. Isso permitiria que o governo financiasse os déficits crescentes previstos em sua legislação de cortes de impostos.

A maioria dos 19 membros do Fed não vê os juros caindo tão baixo quanto Trump gostaria. Suas mais recentes projeções, divulgadas no mês passado, mostraram que a maioria espera que a taxa não caia abaixo da faixa de 3,25% a 3,5% até o fim do próximo ano.

O Fed se reúne na próxima semana e a expectativa é de que mantenha os juros na faixa atual. Operadores esperam que o banco central volte a cortar os juros em setembro.

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