NOVA YORK - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmaram que o Brasil está cauteloso sobre a decisão do governo americano de sobretaxar o aço, que deverá ser anunciada ainda nesta quinta-feira. Entretanto, Meirelles afirmou que se o anúncio não for bom para o país, o governo iniciará outras negociações tarifárias com outros países e grupos.
- No caso de a nova política americana não for positiva para o Brasil, iremos incrementar negociações com os países do Mercosul. Tenho encontros com representantes da Argentina na semana que vem para discutir nossas relações comerciais. Não vou falar sobre retaliações sem saber exatamente a medida do governo americano.
Dyogo Oliveira foi mais enfático:
- Isso nos encoraja mais a incrementar as negociações comerciais com outros parceiros, como o próprio Canadá - afirmou o ministro.
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex), Roberto Jaguaribe, afirmou que este novo posicionamento americano pode favorecer acordos do Mercosul com a União Europeia, Canadá, Japão e Coreia do Sul.
- A atitude do governo americano está fazendo com que parceiros mais relutantes, como a própria União Europeia, Coreia, Japão, Canadá, estejam mais abertos para negociar com o Brasil - disse ele.
Jaguaribe afirmou, contudo, que lutará para que o aço brasileiro não seja sobretaxado, seguindo o que o governo americano deve fazer com o México, Canadá e com a Austrália, que devem ficar fora da nova taxa de 25% para o aço e de 10% para o alumínio.
- Buscaremos evitar que o aço brasileiro seja atingido nesse processo, que de fato tem um peso significante - disse.

