BBRASÍLIA – Com o crescimento descontrolado das despesas da Previdência Social - impulsionado, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, por uma procura antecipada para fugir da possível reforma, o rombo das contas públicas bateu recorde. O Brasil teve um déficit de R$ 16,1 bilhões no mês passado. É o maior para meses de julho desde quando o Banco Central passou a registrar os dados há 16 anos. Na esteira da degradação fiscal, a dívida também chegou ao patamar mais alto. O quadro só não é pior porque juros e inflação estão em queda.
Foi o terceiro resultado negativo seguido registrado pelo chamado setor público consolidado. A incapacidade do país de poupar um centavo para pagar juros da dívida pública fez com que ela chegasse a 73,8% do Produto Interno Bruto (PIB). O aumento foi de 0,7 ponto percentual do PIB apenas no mês passado. Ao todo, o Brasil deve R$ 4,8 trilhões.
A queda recente do dólar, que no passado ajudaria os dados das contas públicas, prejudicou ainda mais o cenário. A baixa desvalorizou a poupança que o BC tem em dólares para se proteger de crises externas. Como o ativo perdeu valor, a dívida líquida teve um crescimento muito maior que a dívida bruta. Passou de 48,7% do PIB para 50,1% do PIB: outro recorde.
Segundo os dados do Banco Central, divulgados nesta quarta-feira, tanto a União quanto os governos regionais tiveram déficit. Somente as estatais fecharam o mês no azul.
De acordo com a autoridade monetária, o governo federal teve um rombo de R$14 bilhões. Já estados e municípios tiveram juntos um déficit de R$ 2,7 bilhões. As empresas públicas registraram superávit de R$ 491 milhões.
No ano, o setor público consolidado acumula um déficit primário de R$51,3 bilhões: também é o pior resultado desde que o Banco Central começou a registrar os dados em 2001. No mesmo período de 2016, o rombo era de R$36,6 bilhões. No acumulado em doze meses até julho, o país tem um resultado negativo de R$ 170,5 bilhões (2,66% do PIB).

