BRASÍLIA - O decreto presidencial extinguindo a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) na Amazônia motivou um protesto no salão verde da Câmara com a presença de deputados de vários partidos, ONGs ambientalistas e da ex-ministra do Meio Ambiente e presidenciável Marina Silva. Os oradores se revezaram para condenar o ato presidencial e dizer que o meio ambiente e a Amazônia têm sido alvo do maior ataque dos últimos tempos.
A presidenciável afirmou que o governo do presidente Michel Temer tem usado a agenda ambiental como moeda de troca em "negociatas". Marina Silva apontou que desde 2012 _ quando a presidente da República era sua ex-correligionária Dilma Rousseff - o governo tem protagonizado retrocessos ambientais.
— O que está atrás de tudo isso é a falta de visão e a falta de compromisso com os nossos recursos naturais. Agora esse decreto é o tiro de misericórdia contra a agenda ambiental, que virou moeda de troca nas negociatas. Antes se fazia decretos para criar Unidades de Conservação. Agora, é para extingui-las — discursou Marina.
Ela fez um apelo a Temer para que recue de sua decisão. E lembrou que quando o tucano Fernando Henrique Cardoso era presidente, houve uma forte pressão dos estados para flexibilizar a grilagem de terras e reduzir o percentual de reserva legal na Amazônia. Mas diante da repercussão negativa da opinião pública, FH voltou atrás e não autorizou as mudanças.
— Não é fraqueza mudar de opinião. Fracos são os que insistem nos erros — apontou Marina.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede), natural do Amapá, estado onde se localiza a Renca, disse que os amazônidas não aceitam nenhum dos argumentos apresentados por Temer para justificar a extinção da reserva. Entre as explicações do Palácio do Planalto estão o fato de já haver exploração ilegal de minérios dentro da reserva.
— Este é o maior ataque da história contra a região amazônica. Nem a ditadura ousou tanto. Não aceitamos nenhum dos argumentos do senhor presidente. Sabemos o que a mineração representa para a Amazônia. Mineração é sinônimo de devastação ambiental, trabalho escravo e morte de populações tradicionais. No lugar da floresta, vira um deserto. A justificativa é só atender ao interesse de financiar os bolsos do senhor presidente e daqueles que o apoiam — atacou o senador.
Além de parlamentares da Rede, PT, PSDB, PSB e PSOL também participaram do ato representantes das ONGs SOS Mata Atlântica, Greenpeace, Observatório do Clima e WWF. Os oradores elogiaram a decisão da Justiça Federal do Distrito Federal, que deferiu parcialmente liminar para suspender o decreto de extinção da Renca. Mas falaram que a luta continua. O PSDB entrou com um requerimento para ouvir o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério de Minas e Energia sobre o caso. A rede de mobilização social Avaaz também estava presente e anunciava que já coletou 700 mil assinaturas contra a extinção da Renca. Segundo os ambientalistas, dentro da reserva há nove áreas de preservação ambiental, sete Unidades de Conservação e duas Terras Indígenas.
— O meio ambiente vive seu maior pesadelo — avaliou Márcio Astrini, do Greenpeace.

