RIO - A onda de roubo de cargas no Estado do Rio causou um prejuízo de R$ 607,1 milhões no ano passado, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em 2017, foram registradas 10.599 casos desse tipo de crime, um aumento de 7,3% em relação ao ano anterior. Isso é equivalente a uma ocorrência a cada 50 minutos.
O levantamento da Firjan levou em consideração o valor médio de aproximadamente R$ 57 mil por carga roubada, de acordo com estimativa da NTC & Logística. O estudo aponta ainda que os casos do ano passado foram concentrados em alguma áreas da cidade: 52,2% dos casos foram registrados em 11 das 138 unidades policiais do estado. Todas as regiões são cortadas por vias importantes, como Avenida Brasil, Rodovia Washington Luís e Avenida Presidente Dutra.
Além do prejuízo para empresários, a escalada dos casos de roubo de cargas resultou em aumento de custo para consumidores. A crise de segurança no Estado fez com que varejistas cobrassem uma taxa extra para entregas que tinham como destino ou origem a capital fluminense, destaca o documento da Firjan. Instituída em março de 2017, a chamada taxa emergencial excepcional (Emex) elevou o preço de cada produto carregado em cerca de 1,5%.
Em dezembro, que, às vésperas do Natal, quase 13% das entregas dos Correios no Rio eram feitas com algum tipo de medida adicional de segurança, como escolta armada. A média nacional é de 1,6%. Na ocasião, varejistas se organizavam para evitar problemas de segurança, investindo em alternativas como a opção de comprar online e retirar na loja física.
O estudo da Firjan destaca ainda um efeito indireto sobre a economia do estado: a crise de confiança entre empresários. De acordo com a Sondagem Industrial Especial sobre Segurança, realizada pela entidade, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 47% dos empresários fluminenses consideram que a falta de segurança afeta muito ou moderadamente a decisão de localização industrial. No Brasil, esse percentual é de 35%. No ano passado, a L’Oréal . Já .
“O prejuízo causado por esses delitos é ainda maior, considerando que os roubos de carga são fator de repulsão a investimentos, empresas e empregos, além de impactar a arrecadação do poder público. Nesse sentido, cabe ressaltar que o Rio de Janeiro mantém taxa de desemprego (14,5%) maior que a média brasileira (12%)”, afirma o estudo da Firjan.

