RIO - Em seu relatório anual sobre a economia brasileira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que a recessão brasileira parece estar próxima do fim, mas que o avanço da incerteza política pode comprometer o cenário. O texto considera que está mais incerta a capacidade do governo concluir a reforma da Previdência, necessária para a sustentabilidade fiscal:
“Embora o fim da recessão pareça estar à vista, um recente aumento da incerteza política trouxe uma sombra ao cenário. A habilidade de o governo promover a reforma da Previdência — passo necessário para assegurar a estabilidade fiscal — ficou mais incerta e, com as eleições nacionais de 2018, a janela para a ação legislativa está se fechando”, afirmou o documento, divulgado nesta quinta-feira.
As projeções do Fundo para o desempenho da economia brasileira consideram um cenário de aprovação de “um conjunto suficientemente forte de medidas” que possam assegurar a sustentabilidade fiscal, o que inclui a reforma da Previdência. Isso sugere que, sem as iniciativas, o crescimento pode ser menor. A estimativa do FMI é de um aumento de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 — ante 0,2% anteriormente — e de 1,3% em 2018 — abaixo dos 1,7% previstos antes, com um cenário de 2% a médio prazo. O quadro é classificado como de uma “recuperação moderada”.
“Instabilidade política e desdobramentos da investigação de corrupção são grandes fontes de risco que podem ameaçar a agenda de reformas e a recuperação. O principal risco de política é que a reforma da Previdência seja diluída de forma severa ou adiada para o próximo governo, gerando uma reação adversa do mercado a curto prazo e exigindo medidas fiscais adicionais ao longo do tempo”, diz o documento.
Apesar de se concentrar mais nos riscos internos, o FMI também os externos, como um aperto das condições financeiras globais e, com uma menor probabilidade, uma desaceleração significativa da China.
A avaliação do FMI ressaltou que assegurar a sustentabilidade fiscal é prioridade chave. A despeito dos elogios ao teto de gastos, a interpretação dos diretores do FMI é que mais esforços são necessários para se atingir as metas fiscais:
“Diante dos desafios que a economia enfrenta, os diretores em geral apoiam o atual ritmo de ajuste fiscal, mas enfatizam que o esforço fiscal necessário terá que ser mais intenso à medida que a recuperação ocorra. Um arcobouço fiscal de médio prazo pode ajudar a clarear e atualizar o desenvolvimento de soluções duráveis em coordenação com os estados”.
O documento do Fundo aponta que a política monetária tem sido “calibrada de forma apropriada” e sugere que se dê continuidade ao afrouxamento, ou seja, à redução das taxas de juros.

