SÃO PAULO - Ainda na esteira da reforma trabalhista e da condenação em primeira instância do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, o mercado acionário local opera com ganhos nesta quinta-feira. O Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip) sobe 0,48%, aos 65.151, com a Alpargatas, que foi vendida para a Itaúsa, operam em forte alta, assim como os papéis da JBS. Já o dólar comercial opera perto da estabilidade, com leve alta de 0,15% ante o real, cotado a R$ 3,213.
Na avaliação de Ignácio Crespo, economista da Guide Investimentos, a menor aversão ao risco no exterior é outro fator que ajuda a valorização dos ativos no Brasil. Ele lembra que o CDS (credit default swaps, uma espécie de seguro para títulos emitidos no exterior) do Brasil são negociados a 227 pontos, o quinto dia de queda seguido. Esse valor era de pouco abaixo de 200 antes da divulgação do conteúdo da delação premiada dos executivos da JBS, em 17 de maio, mas no auge da atual crise política chegou a superar os 240 pontos.
— A percepção de risco está menor. É um cenário internacional mais favorável e isso influencia a avaliação do cenário doméstico, porque o investidor estrangeiro tem uma participação relevante. Internamente, a reforma trabalhista já estava no preço, mas a avaliação é que apesar da crise política, uma substituição do presidente Michel Temer por Rodrigo Maia (presidente da Câmara) não seria ruim para a economia — disse, acrescentando ainda que ontem a condenação de Lula contribuiu para o bom humor dos negócios, mas a incerteza irá permanecer até a confirmação em segunda instância.
Na B3, um dos destaques é a Alpargatas. A J&F, da família Batista, conseguiu vender a empresa de calçados e , da família Moreira Salles, na noite de quarta-feira. Os papéis sobem 4,57% e os do Itaúsa têm leve valorização de 0,21%. Também opera em alta de 9,09% as s e consequente melhora do perfil de endividamento do frigorífico.
Já as ações do Bradesco operam em alta de 0,98%. Nesta quinta-feira o banco anunciou um programa de demissão voluntária a seus funcionários.
Ainda entre as ações mais negociadas, as da Petrobras estão em queda. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) recuam 0,30%, cotadas a R$ 12,90, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) caem 0,58%, a R$ 13,50. No exterior, o petróleo opera em alta. O do tipo Brent sobe 1,17%, a US$ 48,30 o barril.
A alta do Ibovespa só não é maior devido ao desempenho da Vale. As PNs caem 2,20% e as ONs têm queda de 2,44%.
Já o dólar até abriu os negócios perto da estabilidade. No entanto, a divisa ganhou força após o pronunciamento da presidente do Federal Reserve (Fed, o bc americano), Janet Yellen, no Senado dos Estados Unidos. Ela sinalizou que será feita uma redução gradual do volume de ativos financeiros no balanço do Fed, ou seja, será uma redução lenta dos estímulos monetários dados no período de recessão. Esse processo deve reduzir a liquidez global e, com isso, o dólar ganha força.
O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, registra alta de 0,12%. Antes do pronunciamento de Yellen, estava estável.

