RIO - Os setores ligados à economia criativa, que representam 2,6% do PIB, segundo o Atlas Econômico da Cultura, divulgado este ano, criam mais que empregos: as iniciativas, frequentemente, ajudam a melhorar a vida nas cidades.
No Rio, o site InfoDengue monitora a infestação do mosquito oficialmente, desde 2015 e hoje cobre 788 municípios em cinco estados, contribuindo para o planejamento de ações das secretarias de Saúde. Parceria da Fundação Getulio Vargas com a Fiocruz, o projeto é financiado por verba de pesquisas e não tem custo para os municípios. Em tempos de crise financeira, cortes nas bolsas do CNPq e Faperj, a equipe passou a mirar organizações internacionais e fez parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em 2018, pretende criar um modelo para capacitar as secretarias a fim de melhorar a interpretação dos dados.
— Monitoramos zika e chicungunha, mas os dados sobre zika não estão no site porque nos falta verba. A ideia é que os municípios paguem pela capacitação. O apoio do BID é para beneficiar países da América Latina com nossa tecnologia — diz Flávio Coelho, que coordena o projeto na FGV.
Espalhadas por nove bairros nas Zonas Norte e Oeste, as Naves do Conhecimento dão oportunidades para crianças, jovens e adultos desenvolverem seus potenciais. Este ano, mais de 30 mil alunos participaram de cursos tão diferentes quanto Caça aos Asteroides, Cinema, Games, Dança e Informática. Para 2018, a Prefeitura, responsável pelas unidades, promete mais duas naves: na Rocinha e na Providência.
Aos 17 anos, André de Assis está na Nave de Triagem de segunda a sábado. Já fez sete cursos e, até a semana passada, tinha encontrado sozinho cinco asteroides.
— Quero trabalhar com algo ligado a computadores e quanto mais cursos eu fizer, melhor. Se pudesse, eu viria aos domingos também — diz André, que está no primeiro ano do ensino médio.
Secretária municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação, Clarissa Garotinho destaca o novo perfil dos cursos:
— Estão mais longos para garantir aprendizados mais significativos e melhor qualificação, em áreas relacionadas a inovação e economia criativa. Continuam importantes os cursos técnicos, que resultam em alta empregabilidade.
Fundada em 2011, a empresa Easy Taxi transformou a maneira de pegar táxi no Rio: ampliou a oferta de carros e diminuiu o tempo de espera. O aplicativo acabou rodando em 35 países.
Há dois anos, o fundador, Tallis Gomes, que deixou a empresa, criou a Singu. A ideia era a mesma, mas dessa vez no setor de beleza: ampliar a oferta de serviços e atender em casa e no trabalho sem que o cliente precise esperar. Um ano antes, os irmãos José Eduardo e João Ricardo Mendes criaram o Hotel Urbano, uma plataforma de opções hoteleiras com grandes promoções para turistas. Hoje, oito mil hotéis estão cadastrados em todo o país, cerca de 300 profissionais ocupam postos no Rio e em São Paulo e a empresa estima uma geração de 400 mil empregos indiretos em todo o Brasil. Em média, uma diária é vendida a cada cinco segundos. E, ao todo, são 18 milhões de clientes cadastrados.
— Vamos oferecer, a partir deste mês, hospedagem em todos os continentes. Estamos contratando e a previsão é ter novos 150 postos para 2018. Como o Rio, que vem reagindo, o empreendedor nunca desiste. Tivemos problemas com investidores no passado, mas hoje olhamos para o futuro e estamos otimistas. O caminho é continuar investindo — conta Eduardo Mendes.

