É possível garantir um complemento de renda e um futuro tranquilo na aposentadoria com um portfólio de investimentos que vai além dos tradicionais fundos de previdência e inclui, ainda, seguros para imprevistos. Além disso, segundo especialistas, diversificar as aplicações para além da renda fixa pode significar mais dinheiro no bolso, embora traga uma dose de risco de perdas. Segundo simulação feita a pedido do GLOBO pela consultora financeira Thabata Abreu, é possível economizar até R$ 20 mil por ano em aportes, caso se decida ir além do básico.
A estimativa tomou por base um plano para quem quer manter um padrão de vida de R$ 10 mil depois que parar de trabalhar. Considerando um rendimento básico de R$ 954 do INSS, para quem também contribui para a Previdência Social pelo piso, seria preciso garantir uma renda adicional de R$ 9.046.
A consultora traçou dois cenários. O primeiro considera uma aplicação em fundo de previdência privada, com rendimento de IPCA+4% ao ano. Nesse cenário, seria necessário aplicar R$ 4.526 por mês.
Já ao diversificar os investimentos sem ficar restrito aos planos de previdência, com um fundo formado por 40% de renda fixa e 60% aplicados em fundos multimercados e ações, o poupador chegaria ao montante necessário com mais folga no orçamento. Com rendimento de IPCA+6,3% ao ano, os aportes seriam de R$ 2.813 mensais. Uma redução de R$ 1.713 por mês, ou R$ 20.555 anuais.
— As pessoas costumam falar que têm aversão ao risco. É mentira: grande parte das pessoas não é avessa ao risco. A maior parte das pessoas é avessa à perda. Para planejamento de longo prazo, o ideal é diversificar — explica Thabata.
Ela recomenda recorrer a fundos de investimento e não improvisar, caso não se tenha conhecimento. É o que chama de gestão passiva dos investimentos: diversificar, mas com ajuda profissional.
Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest e fundador da Academia do Dinheiro, considera a diversificação uma espécie de “plano C”. Os planos A e B seriam a Previdência Social e os fundos de previdência complementar, respectivamente.
— Com pelo menos 15 anos de prazo, dá para pensar em renda fixa, pré e pós-fixada, LCI, LCA, além de fundos imobiliários — exemplifica. — Ir para o plano C é perder conveniência. Você mesmo precisa gerir a carteira de investimentos. É como comparar pedir uma pizza pelo telefone a comprar os ingredientes e fazer a massa. Fazer a pizza sai mais barato, tem gosto melhor, mas dá mais trabalho.
De olho na busca de clientes por diversificação de investimentos, operadoras de previdência privada já oferecem planos VGBL e PGBL com opções de aplicações com alguma dose de risco. Na Bradesco Seguros, por exemplo, o mais recente lançamento é o Portfólio Multiestratégia, que permite que o cliente rebalanceie as aplicações de seu fundo.
— Terá soluções para diferentes perfis de apetite a risco, sendo moderado, arrojado, dinâmico, e é um passo no que a gente entende que é a orientação de mercado — diz Jorge Pohlmann Nasser, diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência.
Recorrer à cobertura de seguros também pode ser uma opção, lembra Luciana Bastos, diretora de Desenvolvimento de Produtos de Vida da Icatu Seguros. Afinal, planos de previdência garantem uma renda mensal, mas não cobrirão gastos extraordinários, como um problema de saúde.
— Há coberturas, por exemplo, voltadas para quem é diagnosticado com doenças graves. Temos um caso de uma pessoa que ficou doente, tinha plano de saúde e, com o dinheiro do seguro, pôde garantir um suporte maior para o tratamento — conta Luciana.

