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Quem perde mais com o tarifaço de Trump, Carrefour vai sair da B3 e o que importa no mercado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quem perde mais com o tarifaço de Trump que atinge o aço brasileiro, Carrefour Brasil vai sair da B3 e outros destaques do mercado nesta quarta-feira (12).

**QUEM PERDE MAIS EM UMA GUERRA?**

Na edição desta terça-feira (11) da newsletter, falamos sobre a taxa de 25% imposta por Donald Trump à importação de aço e alumínio para os Estados Unidos.

A relação entre a metalurgia brasileira e a americana é interdependente, por isso, a corda arrebenta para o lado mais fraco.

AS EMPRESAS

De acordo com analistas ouvidos pela Folha, as companhias que atuam no Brasil mais afetadas devem ser Ternium, ArcelorMittal e Usiminas.

A primeira é controladora da terceira, mas também tem uma fábrica própria de placas de aço no Rio de Janeiro. Lá pode produzir até 5 milhões de toneladas anualmente.

Vamos entender a situação de cada uma:

TERNIUM

Em 2023, exportou 486 mil toneladas de aço a partir do Brasil. A siderúrgica não divulga quanto da produção anual vai para os EUA, mas sabemos que é uma parcela considerável.

A empresa tem uma operação muito forte no México, 60% da sua produção sai de lá. Para a infelicidade dela, as importações mexicanas estão entre os principais alvos de Trump.

USIMINAS

O impacto pode ser um pouco mais leve aqui. Há dois anos, a companhia teve a América do Norte como o destino de 13% das exportações. Não há divisão entre países no relatório divulgado, mas dá para especular que boa parte vá para os EUA.

A salvação: as exportações representam apenas 10% das vendas de aço da corporação.

Por esse motivo, as ações da Usiminas são vistas por investidores como mais seguras do que as de outras siderúrgicas. Subiram 3,37% no pregão de ontem.

ARCELORMITTAL

A companhia tem sede em Luxemburgo, mas tem várias plantas brasileiras.

Ela não expõe quanto da produção daqui vai para os americanos, mas, segundo seu relatório anual, há dois anos a empresa produziu 14 milhões de toneladas de aço no Brasil, das quais a maior parte foi exportada.

EM DINHEIRO

As siderúrgicas brasileiras podem perder até US$ 5 bilhões (R$ 28,8 bilhões) com as imposições tarifárias. A estimativa é de Marco Antônio Castello Branco, ex-presidente da Usiminas.

“Dificilmente o Brasil conseguirá reorientar os volumes que deixarem de ser exportados para outros países”, afirma.

A taxação desenfreada esfriou o fervo do “Trump Trade” –apelido dado à animação dos mercados em relação ao novo presidente americano– e enfraqueceu o dólar. Você pode ler mais sobre aqui.

**PORTAS FECHADAS**

O Carrefour Brasil anunciou ontem que a nave-mãe está o chamando de volta: o Carrefour francês apresentou uma proposta para que a companhia volte a pertencer em sua totalidade ao grupo controlador.

Se o acordo se concretizar, as ações da empresa deixam de ser listadas na bolsa de valores brasileira.

COMPOSIÇÃO

As ações do Carrefour Brasil hoje são divididas entre o Carrefour France (o original), que detém 67,4%, a Península Participações, 7,3% e papéis em circulação na B3 (25,3%).

O grupo brasileiro é dono de 100% do Atacadão.

OPERAÇÃO

Para tomar posse de toda a empresa brasileira, os franceses precisam recomprar as ações listadas na bolsa e compensar os acionistas de alguma forma pela perda do investimento.

A potencial transação aconteceria dessa forma: seria criada uma sociedade brasileira comandada inteiramente pelo Carrefour (🇫🇷).

Cada ação da companhia no Brasil seria substituída por uma ação resgatável Classe A, Classe B ou Classe C da nova empresa, nomeada “MergerSub”. Quem escolher…

…Classe A: cada ação seria trocada por um pagamento de R$ 7,70 em dinheiro.

…Classe B: cada ação resgatável seria substituída por 0,045 ação do Carrefour ou 0,045 recibo de ação (BDR), sistema que deve ser acrescentado à B3. O acionista também ganha R$ 3,85 em dinheiro por ação. Explico:

↳ As ações do Carrefour francês são negociadas na Bolsa de Paris (Euronext Paris).

↳ BDRs são certificados de ações de empresas estrangeiras negociados no Brasil.

…Classe C: será trocada por 0,09 ação do Carrefour original ou 0,09 recibo de ação negociado na B3. Aqui, não rola recompensa em dinheiro.

RELEMBRANDO

Em novembro, o Carrefour francês bateu de frente com o agronegócio e o governo brasileiro devido a declarações do CEO, Alexandre Bompard, sobre a qualidade da carne brasileira. Refresque a memória clicando aqui.

NA BOLSA

Os papéis do Carrefour Brasil (CRFB3) registraram uma valorização de 10% no pregão de hoje, encerrando o dia cotados a R$ 7,10 a ação.

Investidores se empolgaram com os possíveis acordos de recompra anunciados –veem a oportunidade de lucrar em um futuro próximo.

**QUANTAS UTILIDADES?**

Mil e uma. Pode ser que você tenha reconhecido esse slogan. Saíba que empresa que usou ele passa por dificuldades: a Bombril entrou com um pedido de recuperação judicial.

Por quê? “Contingências tributárias relevantes”, informa. Ela tem autuações da Receita Federal por supostamente ter deixado de pagar impostos no valor de cerca de R$ 2,3 bilhões.

Esses tributos teriam incidido sobre a compra de títulos de dívida estrangeiros, que aconteceram de 1998 a 2001. Na época, a empresa era subsidiária do grupo italiano Cragnotti & Partners.

A Bombril diz que o processo vai servir para conduzir negociações para adequar sua estrutura de endividamento, garantir a manutenção das atividades da companhia e proteger seu caixa.

O grupo tem outras marcas, entre elas: Mon Bijou, Limpol e Sapólio Radium.

Brasileiro autêntico. O nome da empresa virou sinônimo de lã (ou palha) de aço no país. Ela foi eternizada nas campanhas televisivas com Carlos Moreno, o garoto propaganda oficial.

Tudo começou em 1948, quando o investidor Roberto Sampaio Ferreira teria sido estimulado pela esposa a abrir uma fabricante de lã de aço, ambos inspirados por um produto similar vendido nos Estados Unidos.

O produto foi propagandeado como algo que pode ser usado para limpar qualquer coisa: polir panelas, limpar vidros, louças, azulejos, ferragens e por aí vai.

Deu certo. No primeiro ano, a companhia vendeu 48 mil pacotes.

O “Garoto Bombril” apareceu pela primeira vez em 1978. Desde então, apareceu em 400 filmes comerciais.

Briga pelo controle. Roberto Sampaio morreu em 1981, fato que desencadeou uma série de disputas entre os administradores e a família.

Em 1995, a Bombril foi vendida para a italiana Cirio Finanziaria, de Sergio Cragnotti, por US$ 200 milhões. Anos depois, Ronaldo Sampaio Ferreira, herdeiro do fundador, ainda não tinha recebido toda a quantia.

Cragnotti e Sampaio Ferreira iniciaram rodadas de negociação, intercaladas por ameaças de processo e desavenças tornadas públicas.

A Cirio entrou em falência, na primeira recuperação judicial da Bombril, que aconteceu de 2004 a 2006.

**MADE IN CHINA**

A montadora chinesa BYD anunciou planos de incorporar a tecnologia de direção autônoma na maioria dos carros que fabrica, incluindo um veículo de menos de US$ 10 mil (R$ 57 mil –sem considerar impostos, outras taxas, transporte e tudo mais).

Para isso, quer usar o software de inteligência artificial da DeepSeek nos veículos.

Outras montadoras chinesas já o fazem. Geely, Great Wall Motors (GWM) e Leapmotor são exemplos.

POR QUE IMPORTA?

A BYD é a maior rival da Tesla, empresa de Elon Musk para carros elétricos, na China –e, cada vez mais, no mundo.

A estratégia da chinesa para competir com o bilionário é apostar em modelos cada vez mais baratos e com tecnologia de ponta.

Ela instalou o sistema de condução autônoma “Olho de Deus” em pelo menos 21 modelos, incluindo o Seagull, vendido por US$ 9.550 (R$ 55.199).

Os modelos da Tesla com funções semelhantes custam a partir de US$ 32 mil (R$ 184 mil).

AGRADOU

As ações da BYD subiram 4,5% no pregão de ontem na Bolsa de Hong Kong, depois de uma alta de quase 20% nos dias anteriores ao evento.

NO BRASIL

A empresa chinesa aumenta sua fatia de mercado. Em janeiro, as montadoras registraram o melhor resultado para o mês em vendas de veículos novos no país desde 2020. A BYD teve o maior avanço e assumiu a oitava posição de vendas entre os fabricantes.

Os dados são da Fenabrave (Federação de Concessionárias).

A chinesa está atrás de nomes como Fiat, Volkswagen, GM, Toyota e Hyundai.

A BYD constrói sua primeira planta fabril no Brasil, em Camaçari (BA), antes ocupada pela Ford.

Revés para os carros elétricos? Estão tentando. Donald Trump tirou benefícios e incentivos das fabricantes de veículos do tipo nos Estados Unidos. Isso não ajuda a BYD, muito menos a Tesla.

As polêmicas envolvendo Elon Musk fizeram as vendas da Tesla caírem na Europa. Mais um ponto a considerar nesse xadrez.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

Quem vendeu, vendeu. A pedido do governo, empresa que pagava por registro da íris interrompe os serviços no Brasil.

Transferindo a culpa. Voepass diz que Latam deu R$ 35 milhões de prejuízo e atribui a ela a responsabilidade pela crise que vive.

Bye-bye, DEI. Disney exclui diversidade como critério para definir remuneração de executivos.

Atenção, CEOs de MEI: Governo lança plataforma para permitir que microempresários individuais prestem serviços em órgãos públicos.

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