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B3 não vai recuar em agenda de diversidade apesar de mudanças nos EUA, diz presidente

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da B3 Gilson Finkelsztain disse que a Bolsa brasileira continuará incentivando a adesão a políticas internas de diversidade, equidade e inclusão (DEI, na sigla em inglês) e a agenda ESG nas empresas.

A fala vai na contramão de gigantes do mercado americano, que revisaram ou suspenderam suas políticas internas de diversidade desde a eleição de Donald Trump.

"Nesse momento, nosso posicionamento não muda. Acho que esse tema veio para ficar, que não é moda", disse Finkelsztain na sexta-feira (7).

"O movimento que acontece nos Estados Unidos não se reflete nas indústrias brasileiras", disse Ana Buchaim, vice-presidente de marketing, comunicação, sustentabilidade e Investimento social da B3.

Em janeiro, a Meta cancelou políticas de contratação de minorias para os quadros de funcionários e fornecedores. Pouco antes, a Amazon anunciou a suspensão de alguns programas semelhantes argumentando que estavam desatualizados. Já na última quarta-feira (5), o Google anunciou o encerramento dos programas de diversidade. Medidas semelhantes foram adotadas por empresas como Walmart, McDonalds e John Deere.

"Entendemos que ambientes que têm essas características de justiça, acessibilidade, inclusão e representatividade são mais lucrativos e têm melhores resultados, à medida que existem pontos de vistas diferentes, soluções diferentes e mitigação de riscos diferentes", disse Ana Buchaim.

Segundo ela, a evolução de práticas ambientais, sociais e de governança não ocorre de forma linear. "Sempre vai ter um movimento pendular", disse Buchaim. Entretanto, ela nega que um movimento de retorno deva ocorrer na bolsa brasileira.

"Não vamos retroceder. A B3 é pioneira em boas práticas ESG e cumpre um papel fundamental de indutora do mercado. A gente continuar avançando com a agenda e cada vez de forma mais pragmática."

Ela cita como exemplo a implementação do Anexo ASG, documento idealizado em 2023 com medidas para estimular a diversidade de gênero e de grupos sub-representados em cargos de liderança dentro de empresas de capital aberto.

Pela proposta, companhias brasileiras listadas em Bolsa devem incluir em seus conselhos de administração ao menos uma mulher e uma pessoa preta, parda, indígena, com deficiência ou parte da comunidade LGBTQIA+.

A partir deste ano, as empresas devem apresentar suas ações de inclusão no formulário de referência encaminhado anualmente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), ou explicar os motivos para não terem adotado as regras. A adesão não é obrigatória.

"A gente sempre foi muito ponderado de que o nosso grande objetivo era mais transparência e mais educação das empresas, e que as empresas traçassem suas jornadas à medida que elas avaliassem o seu momento", disse Gilson Finkelsztain.

Ao mesmo tempo, nos EUA, desde que tomou posse, em 20 de janeiro, Trump cumpriu uma promessa de campanha e encaminhou o fim das ações afirmativas em contratos federais e o encerramento do contrato de funcionários de atividades de diversidade e inclusão.

A ordem executiva de Trump também instrui o governo americano a investigar iniciativas de DEI no setor privado. Segundo a Casa Branca, a medida, que causou incerteza no mundo corporativo americano, visa acabar com discriminações ilegais.

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