BRASÍLI — Diante da repercussão negativa das propostas de alteração no texto da Reforma da Previdência, feitas pelo PSDB para votar a proposta, defendendo, inclusive, privilégios de servidores públicos, a liderança do partido na Câmara dos Deputados divulgou uma nota nesta quarta-feira negando que o partido esteja exigindo concessões.
No texto, a liderança do partido alega que a legenda não se guia pela impopularidade do assunto ou pela proximidade das eleições. Os tucanos afirmam que os 46 votos da bancada são insuficientes para se chegar ao número necessário para aprovar a reforma (308 votos). A nota diz ainda que não é papel da bancada tucana mobilizar os aliados do governo em torno da reforma.
— O PSDB não se guia pela impopularidade dos temas ou pela proximidade do calendário eleitoral — disse a nota, acrescentando que o partido tem compromisso com a agenda de reformas e com a responsabilidade.
No texto, a liderança do partido cita projetos aprovados no Congresso com apoio "sólido" dos tucanos, como o teto para o gasto público e a reforma trabalhista. A nota diz ainda que as dificuldades do governo em aprovar a reforma da Previdência se agravaram depois das denúncias contra o presidente Michel Temer encaminhadas pela Procuradoria-Geral da República.
A divulgação, pelo GLOBO, de que a assessoria técnica do PSDB elaborava uma nota técnica propondo ajustes no texto da reforma causou mal-estar na própria bancada. Deputados que acompanharam o processo de votação da proposta na comissão especial que tratou do tema em maio reclamaram que não foram consultados sobre as intenções do partido. A ideia era apresentar a nota técnica à bancada nesta quarta-feira e, posteriormente, ao governo.


