BRASÍLIA - O decidiu adiar para a próxima quarta-feira uma decisão formal sobre a reforma . Nesse dia o partido irá definir se fechará ou não questão em torno do texto do governo. Mas o caminho é longo e há divergências sobre o assunto. Hoje, não há certeza sequer de que há maioria dos votos da bancada com relação a um tema que sempre foi defendido pelos tucanos. Após reunião da xecutiva, José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela - responsável pela construção das políticas do partido — , defendeu o fechamento de questão.
— Eu defendo (o fechamento de questão). O PSDB tem que ter protagonismo. O protagonismo do PSDB está muito bem colocado na votação que virá — afirmou Aníbal.
Logo depois, o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli, pontuou que todos os partidos da base têm dificuldade em construir maioria pela reforma, e disse que se todos os aliados do Palácio do Planalto, resolverem fechar questão, o PSDB também o fará. A declaração acontece um dia depois de o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, dizer que o PSDB está fora do governo. Tripoli aproveitou para tentar tirar do PSDB a responsabilidade total pela aprovação da reforma.
— Duvido que tenha hoje na base um partido que diga: fechamos questão, temos a maioria ou todos os deputados irão votar pela Previdência. Se todos os partidos da base fecharem questão, o PSDB fechará questão também. Agora não podem colocar na conta do PSDB que não votam por conta do PSDB. Não é verdade. O PSDB sempre contribuiu e vai continuar contribuindo — disse o deputado.
O partido tem 46 deputados, mas está rachado ao meio quanto ao apoio ao governo. A ala independente, dos chamados "cabeças pretas", reclama que querem jogar no colo do PSDB o papel de puxador de votos pela reforma. Enquanto não se acertam, os tucanos justificam a indefinição pelo fato de desconhecerem o texto final que será submetido à votação. A ideia original do governo era marcar para a próxima quarta-feira a votação da proposta de emenda à constituição com a reforma da Previdência. São necessários 308 votos, e o fechamento de questão é relevante, pois uma vez que um partido se posiciona dessa forma, todos os seus membros têm que seguir a orientação. Quem não o fizer estará sujeito a punições.
— Nunca houve essa decisão de não fechar questão, como também não houve a de fechar.
Nenhum partido tem qualquer posição incondicional com relação a um título. Nós somos a favor da reforma da Previdência. Qual reforma da Previdência isso, obviamente, tem que analisar. Porque a proposta pode ser colocada em termos absolutamente insustentáveis — observou o presidente interino do PSDB, Alberto Goldman.

